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Assistência inteligente ajuda condutores em duas rodas

Uma das partes mais interessantes da investigação que está a decorrer é a tentativa de mitigação de derrapagem.

A ideia de um motociclo que se conduz sozinho é pouco provável, mas há anos que construtoras como a BMW e a Honda tentam integrar soluções inteligentes para tornar mais segura a condução em duas rodas. É também isto que a Bosch está a tentar fazer com novas tecnologias que serão introduzidas em motos da KTM e da Ducati. Trata-se de sistemas de assistência que deverão estar no mercado dentro de ano e meio.

De acordo com um dos membros do conselho de administração da Bosch, Dirk Hoheisel, a ideia é elevar a segurança do motociclismo para um nível “totalmente novo”. Uma das partes mais interessantes da investigação que está a decorrer é a tentativa de mitigação de derrapagem, que pode acontecer devido a condições imprevisíveis no piso – por exemplo, gravilha, derrames de óleo ou folhas molhadas. O sistema, quando estiver funcional, mantém o motociclo na trajetória certa através de um sensor que deteta a derrapagem lateral das rodas e liberta gás de um acumulador semelhante àquele que é utilizado nos airbags dos carros.

Depois, explica a Bosch, o gás move-se para o adaptador do tanque e é ventilado numa determinada direção através de um pulverizador, um impulso invertido que mantém a mota equilibrada. A outra componente da investigação dedicada a motociclos é a de sistemas de assistência por radar. São “assistentes eletrónicos” que respondem em caso de emergência, com base numa combinação de sensor e radar, sistema de travagem, gestão do motor e HMI (human machine interface). “A mota do futuro deve ser capaz de ver e sentir,” resume Geoff Liersch, chefe da unidade de negócio Two-Wheeler e Powersports da Bosch, que concebe a ideia de um veículo “sensorial.”

Está também a ser criado um sistema de comunicação entre motociclos e carros. “Muito antes de a mota surgir, a tecnologia avisa os condutores e os sensores do veículo que se está a aproximar uma mota”, explica a Bosch. A troca de dados é feita com base no padrão de comunicação WLAN público (ITS G5), estando em causa tempos de transmissão de milissegundos entre o transmissor e o recetor. É um “escudo digital para os motociclistas”, aproveitando os cenários em que os veículos vão estar cada vez mais conectados e a trocarem constantemente informações sobre o tipo de veículo, velocidade, posição e direção da viagem, a uma velocidade de até dez vezes por segundo.
Em paralelo, há tecnologias já existentes que estão a ser adaptadas para duas rodas, como o sistema de aviso de colisão traseira, o detetor de ângulos mortos e o Cruise-Control ACC adaptativo. O que é novo é o controlo de estabilidade MSC, o primeiro sistema de segurança pensado integralmente para motociclos.

Entre vários parâmetros monitorizados, como o ângulo de inclinação, o sistema consegue ajustar instantaneamente as intervenções de travagem e aceleração eletrónica. A ideia é impedir que a mota faça mudanças de ângulo bruscas ou que perca o controlo ao travar nas curvas, que, segundo a empresa, é onde a maioria dos acidentes de mota ocorrem.
“Os sistemas de assistência da mota”, sintetiza a Bosch, “são outro ponto de partida para tornar a visão da mobilidade livre de emissões, livre de acidentes e livre de stress uma realidade”.

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