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Associação de bancos avisa: Comissões vão pesar cada vez mais nas receitas

Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Diretora-geral da APB, Catarina Cardoso, precisou que o contexto político e a imagem do setor condicionam o aumento do produto bancário.

A diretora-geral da Associação Portuguesa de Bancos disse esta sexta-feira ser “inevitável” que se verifique um aumento do peso relativo das comissões no produto bancário, assinalando que o próprio Banco Central Europeu tem reconhecido esta inevitabilidade.

Falando sobre os quatro grandes desafios do setor bancário, em que a rentabilidade é um deles, Catarina Cardoso precisou que, em Portugal, a capacidade para os bancos fazerem crescer o peso das comissões no produto bancário “está muito condicionada pelo contexto político e pela imagem do setor”, mas admitiu haver aqui uma inevitabilidade de “aumentar o peso relativo das comissões no produto bancário”.

A diretora-geral da APB, que falava sobre “Visão estratégica da banca na era ‘open-banking'” – um dos painéis inseridos no Fórum Financeiro Outlook 2019 “Portugal – De aqui para onde?”, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa – referiu que o próprio Banco Central Europeu “reconhece que na banca o desafio da rentabilidade vai ter de passar pelo desafio de aumentar o peso das comissões na medida em que a margem financeira está muito condicionada”, nomeadamente pelo contexto das taxas de juro.

A reputação, a reinvenção e a regulação foram os restantes desafios enumerados pela responsável da APB, que, relativamente a este último, referiu que as regras existentes não permitem aos bancos o que é permitido a outros, nomeadamente a novas entidades [como as ‘fintech’] que têm regras mais flexíveis.

A diferença regulatória entre uns e outros foi um reparo comum por parte dos banqueiros que intervieram no mesmo painel, com a presidente do Montepio Geral, Dulce Mota, a referir que, do ponto de vista da regulação, custos de instalação e contribuições, as novas entidades têm uma situação mais ligeira do que os bancos, desde logo porque, exemplificou, ao contrário destes, não estão obrigados a disponibilizar um serviço universal.

Também Luís Castro e Almeida, CEO do BBVA Portugal, se referiu ao tema dizendo que “a regulação das ‘fintech’ vai ser muito parecida com a que existe para os táxis e para a Uber: ambos são regulados, mas a regulação não é igual”.

Já Francisco Barbeira, do BPI, afirmou não acreditar “num mundo” em que haverá entidades reguladas e não reguladas e que as ‘fintech’ acabarão por ter o seu próprio desafio que é “lidar com a regulação” à medida que forem alargando o espetro dos serviços que querem prestar.

Apesar dos desafios e das diferenças ao nível da regulação, os banqueiros salientaram as oportunidades a vantagens que o novo ambiente traz aos bancos, tendo Luís Castro e Almeida precisado que o banco que representa vê as ‘fintech’ como “um parceiro para o negócio do ‘open-banking’, que vai permitir um maior foco e costumização do cliente”

Falando na sessão de encerramento, Hélder Rosalino, administrador do Banco de Portugal, disse discordar que haja uma regulação diferenciada com a intuito de criar desvantagens entre uns e outros, precisando que a regulação segue o “princípio do mesmo negócio, mesmo risco, mesmas regras”.

“Os reguladores têm nos seus principais focos a preocupação de assegurar que todas as entidades sujeitas à supervisão são tratadas de forma equivalente, tendo em consideração os serviços prestados e, necessariamente, a sua dimensão”, afirmou o administrador do Banco de Portugal.

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