"Atitude natural da DGComp é de preconceito e desconfiança"

Ex-chefe de gabinete diz que falhas do Banif em fornecer dados levou "a alguma insegurança" da DGComp, "preconceito" que governo tentou contrariar

Segundo Cristina Sofia Dias, ex-chefe de gabinete de Maria Luís Albuquerque, a atitude natural da Direção-geral de Concorrência da Comissão Europeia é quase sempre de "preconceito e desconfiança" perante planos de reestruturação como aquele que o Banif foi tentando ver validado desde que recebeu a recapitalização pública.

A ex-chefe gabinete da antiga ministra das Finanças está a ser ouvida esta quinta-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao Banif.

Sublinhando que esta consideração sobre a DGComp é "geral" e "abstrata", Cristina Sofia Dias admitiu no entanto que esta atitude "pode passar a formas mais concretas face a certas entidades", ainda que esta entidade tente "refrear de eventuais impulsos discriminatórios", já que obrigados a lidar com todos os casos de forma igual. Mas com o Banif, porém, a desconfiança foi crescendo.

"Uma desconfiança que vinha da informação que o Banif ia apresentando, que por várias vezes não satisfazia os pedidos da DGComp", explicou. "A DGComp pedia ao Banif as características do crédito concedido pela instituição e o banco não teve capacidade de o fazer em condições que a CE considerasse aceitáveis", explicou sobre o crescendo de desconfiança face ao banco madeirense.

"Se nos enviam sempre informações que não conseguimos validar, é natural que surja alguma insegurança face à entidade em questão", referiu a antiga chefe de gabinete da ex-ministra das Finanças. Contra esta desconfiança, "o nosso esforço sempre foi no sentido de desfazer as dúvidas da CE, apontando os aspetos em que o Banif tinha melhorado, combatendo assim esse 'preconceito'".

Cristina Sofia Dias abandonou as funções no Ministério das Finanças no final de outubro de 2015, tendo regressado “no primeiro dia útil novembro” à Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários, onde é atualmente diretora para a política regulatória e assuntos internacionais do supervisor dos mercados financeiros.

Esta audição, a pedido da própria, não foi gravada em vídeo nem foi dado acesso a fotógrafos à sala.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de