Atum sai da lata e transforma-se em salsicha para atrair novos consumidores

Salsichas de atum são inovação
Salsichas de atum são inovação

A Cofisa (Conservas de Peixe da Figueira da Foz) investiu 1,2 milhões de euros no desenvolvimento de uma salsicha de atum desenhada para atrair consumidores mais jovens e que valorizam a alimentação saudável.

O produto chegou ao mercado há pouco mais de um mês, depois de
atravessar um processo “lento e difícil” para ganhar a consistência
desejável sem comprometer o sabor do atum, disse à Agência Lusa o
presidente da Cofisa, José Freitas.

Leia também Estas salsichas têm surpresa (mas não contem aos miúdos)

“O difícil para conseguir uma
salsicha de atum, ou de peixe em geral, é a textura porque enquanto a
carne tem uma textura adequada para dar consistência (…), o peixe não
tem essa consistência, daí a enorme dificuldade em conseguir uma
salsicha vinda de um produto de peixe”, explicou.

À parte a
utilização do atum como principal matéria-prima, a unidade de produção
das salsichas assemelha-se à dos produtos de carne e liberta o aroma
intenso do fumeiro que se associa aos enchidos tradicionais.

O
projeto custou, só em equipamento e instalação cerca de um milhão de
euros, ao qual acresceram mais 200 mil euros na fase de desenvolvimento e
testes de produto, realizados numa planta-piloto ao longo de dois anos.

A
insistência do patrão da Cofisa, que adquiriu a conserveira há uma
década, resultou da “experiência pessoal” anterior e da “ligação muito
forte à indústria de carne”.

“Convivi durante muitos anos com a
salsicha”, contou José Freitas, adiantando que sempre “teve o sonho” de
fazer um produto deste género, desde que adquiriu as fábricas de
conserva de peixe.

A opção por este formato deveu-se ao facto de
ser “um produto massificado, muito atrativo para a juventude”, além das
características saudáveis: “só tem produtos naturais, peixe, não tem
corantes, nem conservantes. Fizemos questão que fosse um produto
natural. Agora vamos ver qual é a reação do mercado e se há que
introduzir alguma coisa no paladar”, sublinhou o dono da Cofisa.

Os
primeiros frascos já estão à venda em alguns hipermercados e a Cofisa
está a negociar a entrada das salsichas de atum noutras cadeias de
distribuição nacionais, optando por adiar a internacionalização.

José
Freitas disse que já houve uma cadeia espanhola a abrir portas à
salsicha de atum, mas prefere esperar para ter uma avaliação do que é
consumido pelo mercado nacional: “Parece-nos muito prematuro porque a
capacidade instalada que temos atualmente prevê o fabrico de cerca de 10
mil frascos (…) Antes de termos a noção do que é que o mercado
nacional consome parece-nos prematuro estar a dar saltos”.

Promete fabricar, numa fase posterior, um hambúrguer de conserva, com uma durabilidade mínima de 2 ou 3 anos.

“Optamos
por fazer lançamentos faseados: primeiro, a salsicha, que envolve todo
um trabalho de colocação e desenvolvimento do mercado. Quando estiver
completo, fazemos o lançamento do hamburger”, continuou.

A
Cofisa pertence ao grupo Freitasmar, que tem outra unidade em Olhão, e
está instalada junto ao porto de pesca da Figueira da Foz.

Transforma
atualmente cerca de 16 mil toneladas de atum, sardinha, cavala e polvo,
mas é o atum que “dá volume às fábricas”, confessa José Freitas.

A
maior parte do atum é importado, mas a cavala é quase toda pescada em
águas nacionais. No caso da sardinha, a “turbulência dos últimos dois
anos” tem obrigado a conserveira a adquirir matéria-prima em Espanha,
França ou Marrocos.

“Acreditamos que esta falta de sardinha é pontual e que a sardinha vai voltar às costas portuguesas”, adiantou o empresário.

A
indústria de conservas, que só mais recentemente começou a ser encarada
como “essencial para o desenvolvimento do país”, tem vindo a aumentar
exportações para os mercados mais diversos e a Cofisa não é exceção.

A
empresa exporta cerca de metade da produção e quase duplicou a
faturação desde 2010, chegando quase aos 38 milhões de euros no final do
ano passado.

A cavala e o atum destinam-se primordialmente ao
mercado italiano, seguindo-se os países do Norte de África que
representam exportações da ordem dos 20 a 25%, enquanto a sardinha é
exportada para mais de 30 países, mas em menores quantidades.

O
líder da Cofisa sublinhou que “há um enorme potencial de crescimento,
sobretudo para a Itália”, onde “a conserva portuguesa é associada a um
produto de alta qualidade”.

No mercado interno, a preferência vai para o atum.

A sardinha chegou a ter penetração no mercado português há algumas décadas, mas o cenário mudou.

“Lembro-me
na minha tenra idade que o lanche nas aldeias era uma lata de sardinha,
muitas vezes a sardinha em tomate. Tenho essa imagem de quando era
miúdo”, recordou José Freitas.

Atualmente, a proporção de vendas será de 10 latas de atum para cada lata de sardinha ou de cavala, estimou.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Ilustração: Vítor Higgs

Indústria têxtil em força na principal feira de Saúde na Alemanha

O Ministro das Finanças, João Leão. EPA/MANUEL DE ALMEIDA

Nova dívida da pandemia custa metade da média em 2019

spacex-lanca-com-sucesso-e-pela-primeira-vez-a-nave-crew-dragon-para-a-nasa

SpaceX lança 57 satélites para criar rede mundial de Internet de alta velocidade

Atum sai da lata e transforma-se em salsicha para atrair novos consumidores