Autocarros da Grande Lisboa com concorrentes de quatro países

Maior concurso público de concessão de transporte público rodoviário vale 1,2 mil milhões de euros e dois dos quatro lotes só tiveram um concorrente.

Sete empresas de quatro países apresentaram propostas para a concessão do serviço público de autocarro na AML - Área Metropolitana de Lisboa. Avaliado em 1,2 mil milhões de euros, este é um dos concursos mais apetecíveis dos últimos anos e deverá conhecer mais novidades na próxima semana. O Dinheiro Vivo sabe que apareceram candidatos de Portugal, Brasil, Espanha e Reino Unido. Está em causa a deslocação de 2,7 milhões de residentes.

Para este concurso, a AML decidiu dividir os 18 concelhos em quatro grupos, por ordem de grandeza de procura: noroeste (lote 1), nordeste (lote 2), sudoeste (lote 3) e sudeste (lote 4). Não serão concessionados os serviços municipais de autocarros de Barreiro, Cascais e Lisboa, que são prestados por empresas próprias. Os contratos terão validade de sete anos. Há dois grupos de transportes que poderão ficar com dois dos lotes.

Os lotes noroeste e nordeste, da margem norte de Lisboa, tiveram apenas um concorrente cada, apurou o Dinheiro Vivo junto de fonte ligada ao processo.

A Scotturb, detida pela família brasileira Barata, deverá operar dentro dos concelhos de Amadora, Oeiras e Sintra e ainda assegurar as viagens de e para os concelhos de Cascais, Lisboa e para fora da AML. O lote 1 está avaliado em cerca de 400 milhões de euros e terá 133 linhas de autocarros, 35 delas novas. Atualmente, esta zona tem autocarros da Scotturb e da Vimeca e representa 33% da oferta na região.

A Rodoviária de Lisboa, do grupo Barraqueiro, foi a única empresa a concorrer para as viagens nos concelhos de Mafra, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira. O lote 2 vale cerca de 365 milhões e contará com 218 carreiras, 31 delas são novas. O grupo Barraqueiro tem várias empresas nesta zona, como a própria Rodoviária de Lisboa, Barraqueiro Transportes, Isidoro Duarte, Boa Viagem e Henrique Leonardo Mota. Corresponde a 32% da oferta na região.

A margem sul do Tejo tem os lotes mais concorridos. Só para o lote 3 apareceram quatro empresas. Duas são portuguesas: A. da Costa Reis & Filhos, que gere os autocarros Espírito Santo, em Gaia; e a Auto Viação Cura, que opera na zona de Viana do Castelo. As outras duas são britânicas: a TST, detida pela Arriva, que atualmente opera nos municípios do sul da AML; e a Nex Continental Holdings, detida pela National Express, que tinha ficado com a subconcessão da STCP no final de 2015 – entretanto anulada após a saída do governo de Passos Coelho.

O lote 3 vai ter 116 linhas (43 novas) nos concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra, representando 18% da procura. Esta zona vale cerca de 273 milhões de euros.

A zona mais pequena vale cerca de 197 milhões de euros, corresponde a 14% da procura e inclui 111 linhas (21 novas) em Alcochete, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal. A Nex Continental Holdings concorreu a este lote; também se candidatou a Guanaurb, empresa dos donos da Scotturb.

As regras do concurso impedem que algum dos concorrentes fique com mais de metade da procura por autocarros. Ou seja, só poderá ficar com mais do que uma zona se o segundo lote for o 4. É o que poderá acontecer, por exemplo, com a Nex Continental se ganhar com os dois lotes na margem sul.

O preço será o principal critério para a escolha do vencedor de cada um dos lotes, representando 85% da classificação final. A idade média da frota representará os restantes 15%.

A partir do final do próximo ano, todos os autocarros na AML terão de ter a mesma cor (amarelo) e a mesma marca (Carris Metropolitana). No início do contrato, nenhum veículo poderá ter mais de 16 anos e a média exigida é de oito anos. A partir do quinto ano, nenhum autocarro poderá ter mais de 12 anos, com idade média de oito anos.

Desde dezembro do ano passado que a gestão do transporte rodoviário de passageiros passou para a competência das autoridades de transportes intermunicipais ou metropolitanas. No caso da Grande Lisboa, será constituída a empresa Transportes Metropolitanos de Lisboa, que poderá também gerir os barcos da Transtejo e da Soflusa.

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