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Autoeuropa chama casais para resolver problemas de horários

Fotografia: JFS / Global Imagens
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800 trabalhadores elegem hoje nova comissão de trabalhadores, que vai negociar proposta para trabalhar aos sábados

A Autoeuropa está a chamar os trabalhadores com filhos para tentar encontrar soluções que evitem que os casais fiquem sem poder acompanhar a família, depois do arranque dos novos horários, em novembro. O Dinheiro Vivo sabe que há duas psicólogas que já estão a ouvir os trabalhadores, ao abrigo do programa de apoio e intervenção social. As consultas do departamento de recursos humanos começaram há duas semanas. A partir de 30 de outubro, a unidade portuguesa do grupo Volkswagen vai funcionar em laboração contínua, com três turnos de trabalho, de segunda a sexta-feira.

“Estamos a entrevistar todos os casais na Autoeuropa. Queremos ver de que forma podemos acomodar a dinâmica de conjugação de turnos e resolver esta situação de forma a causar o menor impacto possível junto das famílias”, confirma fonte oficial da fábrica liderada por Miguel Sanches. Para já, a Autoeuropa está a avaliar quantos casos deste género existem na fábrica de Palmela. Esta fase irá continuar nas próximas semanas. Só depois é que a administração irá apresentar contrapropostas.

De acordo com o esquema de horário enviado recentemente aos operários, um dos membros do casal pode, por exemplo, entrar na Autoeuropa às 15:30 e sair às 23:50 e o outro membro do casal iniciar o seu turno às 23:40 e sair às 7:10. Entre a saída de casa para o trabalho e o regresso de um dos membros do casal há um período em que as crianças teriam de ficar sozinhas em casa. Para já “a empresa está apenas a ouvir os trabalhadores e não apresentou qualquer solução”, adianta um operário.

Este tipo de situações poderá ser agravado com o início do trabalho aos sábados, que está previsto para fevereiro do próximo ano e cuja entrada em vigor depende de um acordo entre a administração e os trabalhadores. Os cerca de 4800 funcionários da Autoeuropa vão escolher hoje os seus representantes nas eleições mais disputadas de sempre.

Há seis listas a concorrer para a comissão de trabalhadores (CT) e que poderão suceder (ou não) a Fernando Sequeira, atual coordenador e que lidera uma das candidaturas. Quatro listas são independentes e as outras têm membros inscritos em sindicatos afetos à CGTP e UGT. Uma das listas conta com representantes do SITE Sul – Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul (CGTP); a outra tem membros que pertencem ao SINDEL – Sindicato Nacional da Indústria e Energia (UGT). A votação realiza-se entre as 7h e as 21h e os resultados serão conhecidos ao final da noite.

A comissão de trabalhadores é a única entidade que negociará com a administração as condições para o novo horário de produção da fábrica e, assim, responder à procura pelo veículo utilitário desportivo (SUV) T-Roc, que estará à venda em novembro na Alemanha e em dezembro em Portugal.

A Autoeuropa propôs há vários meses que a fábrica funcione seis dias por semana, com os funcionários a laborarem cinco dias por semana e direito a uma folga fixa, ao domingo, e folga rotativa a meio da semana. Só de três em três semanas teriam direito a dois dias de descanso consecutivos, segundo a proposta então apresentada. Em compensação, os trabalhadores teriam um pagamento adicional de 175 euros brutos para produzirem ao sábado – que conta como quinto dia de trabalho -, mais um dia de férias e ainda mais 25% do subsídio de turno.

Estas condições chegaram a ser aceites pela maioria da CT. Na votação em plenário, no final de julho, o pré-acordo com a administração foi chumbado por quase três quartos dos operários (74,8%). A comissão de trabalhadores anunciou a demissão, que só teve efeito no final de agosto.

Conseguir um acordo com a administração da Autoeuropa para o novo horário de trabalho da fábrica e obter o consenso da parte dos operários é a prioridade das seis listas, que vão eleger 11 membros.

A nova Comissão de Trabalhadores tomará posse no prazo de dez dias, e logo aí serão retomadas as negociações com a administração, ou seja, entre o final da próxima semana e o início da terceira semana do mês.

É certo que a Volkswagen não vai desviar parte da produção do T-Roc para outras fábricas do grupo alemão, conforme garantiu Herbert Diess, CEO do grupo Volkswagen, no início deste mês. Resta saber qual será o futuro da Autoeuropa, sobretudo a partir de 2020, porque não está prevista, para já, a produção de mais modelos além do desportivo Scirocco, dos monovolumes Sharan e Alhambra (marca Seat) e do T-Roc.

A fábrica de Palmela é a segunda maior exportadora portuguesa, contribuindo com cerca de 1% do PIB português.

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