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Autoeuropa cria quarta equipa mas trava entrada de 400 trabalhadores

Autoeuropa. (Fotografia: Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens)
Autoeuropa. (Fotografia: Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens)

Fábrica de Palmela admitiu precisar de mais trabalhadores para garantir o trabalho ao fim de semana e responder à procura do T-Roc.

A Autoeuropa vai criar uma quarta equipa para garantir, depois das férias de agosto, a laboração aos fins de semana. Mas a fábrica de Palmela, que tinha admitido precisar de mais 400 trabalhadores para responder às encomendas do T-Roc, põe travão a novas contratações e vai recorrer apenas à prata da casa. A administração admite apenas fazer contratações pontuais. A comissão de trabalhadores está à espera que, depois de terça-feira, seja convocada uma reunião para negociar os novos horários.

“Estamos a avaliar as necessidades de pessoal. Se for necessário, haverá novo processo de recrutamento”, afirma fonte oficial da Autoeuropa. Mas a injeção de novos recursos humanos será sempre pouco significativa: apenas haverá contratações pontuais, sobretudo para reparadores de carros, apurou o Dinheiro Vivo.

O cenário era outro há menos de meio ano. A administração admitiu à comissão de trabalhadores, em novembro, a contratação de 400 pessoas este ano enquanto negociava o segundo pré-acordo laboral. E mesmo depois do chumbo do documento a proposta manteve-se em cima da mesa.

“De janeiro a agosto precisamos de qualificar e preparar uma quarta equipa. Vamos rapidamente dar início aos processos de vaga interna para a identificação de colaboradores necessários para as funções mais qualificadas e começar com as ações de formação necessárias”, referiu a administração da Autoeuropa na nota interna enviada em 12 de dezembro aos trabalhadores.

Agora, a fábrica de Palmela está a recorrer à ‘prata da casa’ para conseguir criar esta nova equipa. Depois da entrada de mais de 2400 pessoas no ano passado, a Autoeuropa estará a apostar na formação interna e na agilização de processos para conseguir formar este turno sem precisar de contratar 400 pessoas. Esta equipa deverá arrancar depois das férias de agosto e permitir que a linha de montagem funcione em laboração contínua.

Por exemplo, numa tarefa em que seriam necessários três operários, está a ser dada formação para que sejam precisos apenas dois. O outro trabalhador estará incluído na quarta equipa. Os treinos estão a ser dados para que exista o mínimo de baixas médicas possível entre os 5724 funcionários da fábrica de Palmela.

A comissão de trabalhadores, que em fevereiro conseguiu um acordo de aumentos salariais e integração de 250 precários, limita-se a responder que “as pessoas estão a ser colocadas nas equipas”. Mas a poupança que a fábrica portuguesa do grupo Volkswagen irá obter com o sucesso da formação poderá ser uma arma negocial a ser utilizada nas negociações para o horário da Autoeuropa pós-agosto.

O horário de laboração contínua estará em cima da mesa das negociações a partir de terça-feira, quando for retomada a produção na Autoeuropa, após mais uma semana de paragem por quebra no fornecimento dos motores a gasolina para o T-Roc. A comissão de trabalhadores está à espera de ser chamada pela administração para discutir as condições em que irá funcionar a quarta equipa, adianta o coordenador Fernando Gonçalves. Isto numa altura em que corre um abaixo-assinado, o segundo no espaço de dois meses, para demitir a comissão de trabalhadores.

Um desenlace determinante para o cumprimento da meta de produção para este ano – 240 000 carros. O T-Roc, o SUV que começou a ser fabricado em série em agosto, representa mais de 600 dos 840 carros por dia que saem das linhas de montagem da fábrica e justifica o novo horário. Até final de fevereiro já tinham sido entregues mais de 40 mil carros na Europa.

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