Coronavírus

Autoeuropa: Encomendas perdidas “não são recuperáveis, para já”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (D), é recebido pelo presidente da Autoeuropa, Miguel Sanches (E), à chegada para uma visita à fábrica da Autoeuropa, em Palmela, 13 de maio de 2020. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (D), é recebido pelo presidente da Autoeuropa, Miguel Sanches (E), à chegada para uma visita à fábrica da Autoeuropa, em Palmela, 13 de maio de 2020. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Fábrica do Palmela do grupo Volkswagen quer "ganhar a confiança" de fornecedores e trabalhadores após mais de um mês de paragem.

O atraso do regresso da procura na Europa está a dificultar o regresso à normalidade na Autoeuropa. O diretor-geral da fábrica de Palmela, Miguel Sanches, assumiu esta quarta-feira, perante o primeiro-ministro que ainda há pouca procura pelos carros fabricados pela unidade portuguesa do grupo Volkswagen e que têm como principais destinos Espanha, Itália, França, Alemanha e Reino Unido.

“Ainda estamos a fazer um pouco de gestão de crise. Temos encomendas que não são recuperáveis, para já”, admitiu Miguel Sanches poucos minutos depois de António Costa ter chegado à unidade industrial do grupo Volkswagen.

Para já, a fábrica está a conseguir o “principal objetivo, de ganhar a confiança de todos os fornecedores”, acrescentou o líder da maior fábrica de carros em Portugal e a primeira que voltou a abrir as portas, dia 28 de abril, depois de mais de um mês de paragem, por causa da pandemia do novo coronavírus.

Já depois da chegada do Presidente da República, o líder da fábrica assinalou que a fábrica está em “processo de melhoria contínua” e que adotou mais de 100 medidas para prevenir o contágio pelo novo coronavírus. Essas medidas começam ainda antes da entrada da fábrica.

Autoeuropa prolonga produção reduzida por duas semanas

“Temos 50 rotas para transportar os trabalhadores, que vêm de locais como Alcácer do Sal, Grândola e Loures. Normalmente, cada rota tem um autocarro. Só que como limitámos a lotação dos veículos, tivemos de triplicar o número de autocarros, passando para 150 veículos. Fazemos ainda a medição da temperatura antes de entrarem nos autocarros”, detalhou Miguel Sanches.

Embora não haja cruzes no chão para marcar a distância entre trabalhadores – como acontece na PSA Mangualde – há outras medidas de segurança particularmente visíveis. Na sala de inovação, por exemplo, foram colocadas divisórias de acrílico de proteção e as impressoras 3D que se encontram no interior passaram a produzir viseiras de proteção individual e esticadores para diminuir o esforço das orelhas na colocação de máscaras.

As mesmas divisórias também foram instaladas na principal cantina da fábrica, que só foi reaberta há poucos dias, já depois do regresso dos trabalhadores à linha de montagem. “Tivemos de nos reinventar”, assinala o diretor-geral da fábrica.

Para já, o ritmo de produção na Autoeuropa é mais baixo do que antes da pandemia do novo coronavírus: há apenas dois turnos de laboração nos dias úteis, com 2300 operários a trabalhar numa semana, sendo substituídos por outros 2300 trabalhadores na semana seguinte. Os operários em casa, apesar de estarem em lay-off, recebem o salário por completo. Assim será pelo menos até 22 de maio.

Na etapa seguinte, já sem lay-off, haverá três turnos de produção nos dias úteis. Só em meados de junho – com três turnos de trabalho nos dias úteis e dois turnos no sábado e no domingo – é que a fábrica se conseguirá aproximar da produção de 890 carros por dia, sobretudo do SUV T-Roc mas também dos veículos familiares Volkswagen Sharan e Seat Alhambra. Devido às medidas de proteção, a produção por turno é de 300 unidades.

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