Autoeuropa. Governo dá luz verde a creches para destravar diálogo

Administração e comissão de trabalhadores retomam negociações na segunda-feira. Governo vai continuar a acompanhar a situação

O governo quer usar as creches para destravar o diálogo na Autoeuropa. A proposta foi lançada por Vieira da Silva durante a reunião conjunta de mais de três horas no Ministério do Trabalho e que juntou a administração e a comissão de trabalhadores em terreno neutro pela primeira vez. O secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, e a secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehmann, juntaram-se ao encontro, que acabou com o anúncio do regresso das negociações na fábrica de Palmela já esta segunda-feira.

“O governo assumirá as suas responsabilidades e há algumas dimensões que poderão ser concretizadas com um envolvimento mais forte, sobretudo no que toca à criação e reforço de equipamentos sociais de apoio à família e que responda a um novo quadro horário de funcionamento da empresa, com mais creches e creches com horário diferenciado, por exemplo. O governo irá empenhar-se, desde já, na promoção desse tipo de equipamentos”, anunciou Vieira da Silva.

As creches com horário diferenciado permitem que os pais beneficiem de um regime mais flexível - desfasado do normal período de trabalho - para deixar as crianças. Isto poderá implicar, se for necessário, alterações ao financiamento do Estado às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) próximas da fábrica de Palmela.

Em setembro e outubro, a Autoeuropa chamou os trabalhadores com filhos para tentar encontrar soluções que evitassem que os casais ficassem sem poder acompanhar a família, depois do arranque da laboração contínua, a 30 de outubro, adiantou na altura o Dinheiro Vivo.

As negociações do novo modelo de horário na Autoeuropa serão retomadas na segunda-feira, anunciou Fernando Gonçalves, coordenador da comissão de trabalhadores. No mesmo dia, será retomada a produção na fábrica de Palmela, que ontem esteve parada por falta de peças dos fornecedores.

Marcado para a antevéspera dos plenários, o encontro deverá servir apenas para discutir o modelo de produção depois de agosto. “Pode mudar o modelo de trabalho do segundo semestre”, referiu Miguel Sanches. O diretor-geral da fábrica referiu-se ao último parágrafo da nota enviada aos operários com a imposição de horários a partir de 29 de janeiro: “O período após agosto vai ser discutido com a comissão de trabalhadores.”

Esse não é o entendimento do sindicato SITE-Sul, afeto à CGTP: “Ainda poderá ser apresentada alguma proposta relativa ao horário do primeiro semestre de 2018”, espera Eduardo Florindo, em declarações ao Dinheiro Vivo. O dirigente do SITE-Sul diz ainda que foi adiado para janeiro o encontro com a administração previsto para quarta-feira, dia dos plenários.

A partir de 29 de janeiro, a Autoeuropa vai funcionar seis dias por semana. Em cada dois meses garantem-se quatro fins de semana completos e mais um período de dois dias consecutivos de folga. O domingo é o único dia de descanso fixo.

Para a administração, só desta forma a Autoeuropa poderá produzir 240 mil carros no próximo ano e responder à “grande aceitação” que o veículo utilitário desportivo T-Roc está a ter no mercado internacional.

Por cada sábado na fábrica, os operários vão receber o dobro. Haverá ainda um “prémio adicional de 25% sobre os sábados trabalhados no trimestre”, de acordo com o cumprimento do volume planeado.

A imposição do novo horário foi decidida após o chumbo de dois pré-acordos com a comissão de trabalhadores. Uma decisão rejeitada pela comissão de trabalhadores e pelos sindicatos.

A Autoeuropa pesa 1% do PIB e dá emprego, direta e indiretamente, a 8700 trabalhadores. O T-Roc é o primeiro modelo produzido em larga escala e que pode colocar a fábrica de Palmela “num patamar mais elevado e mais exigente na rede de empresas do grupo Volkswagen”, como salientou o ministro Vieira da Silva.

O governo garante que vai continuar a acompanhar a situação na Autoeuropa com “expectativa elevada” de um acordo e entendimento numa das maiores empresas exportadoras portuguesas. A economia do país está em jogo.

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