indústria automóvel

Autoeuropa prolonga lay-off. Parque industrial perdeu 1000 empregos (correção)

Funcionários da Autoeuropa trabalham na construção do Volkswagen T-Roc na fábrica da Autoeuropa, em Palmela, 13 de maio de 2020. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Funcionários da Autoeuropa trabalham na construção do Volkswagen T-Roc na fábrica da Autoeuropa, em Palmela, 13 de maio de 2020. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Fábrica do grupo Volkswagen volta a ter três turnos de produção a partir de segunda. Laboração aos sábados e domingos depende das encomendas em junho.

A Autoeuropa prolongou o lay-off por mais um mês, até 18 de junho. A decisão foi tomada esta semana apesar de a partir de segunda, dia 25, a fábrica de Palmela voltar a laborar com três turnos de produção de segunda a sexta. No parque industrial que serve a fábrica, o cenário é bem diferente: 1000 pessoas perderam o emprego desde meados de março.

“Na segunda-feira, vamos começar o horário AE 15, que contempla três turnos de laboração de segunda a sexta”, indicou o coordenador da comissão de trabalhadores da Autoeuropa, Fausto Dionísio, em declarações ao Dinheiro Vivo.

O regime de lay-off simplificado na Autoeuropa foi adotado desde 20 de abril para os trabalhadores que estavam em casa. Desde esse dia, a produção na fábrica foi retomada com apenas dois turnos de laboração: numa semana, 2300 operários estavam na linha de montagem, sendo substituídos por outros 2300 trabalhadores na semana seguinte.

Apesar de estarem em lay-off, os funcionários recebem o salário por completo – em vez dos 2/3 do regime do lay-off -, porque o grupo Volkswagen atribui um complemento ao vencimento. A empresa informa ainda que “o regime de lay-off poderá ser reavaliado a qualquer momento, podendo vir a ser encurtado ou prorrogado, total ou parcialmente”, segundo documento interno a que o Dinheiro Vivo teve acesso.

Devido às medidas de proteção, a produção por turno é de 300 unidades: todas as operações de manuseamento são feitas com luvas.

Só em meados de junho – com três turnos de trabalho nos dias úteis e dois turnos no sábado e no domingo – é que a fábrica se conseguirá aproximar da produção de 890 carros por dia, sobretudo do SUV T-Roc mas também dos veículos familiares Volkswagen Sharan e Seat Alhambra. Mas esse regresso à normalidade “depende das encomendas que forem feitas no início de junho”, avisa o coordenador das comissões de trabalhadores do parque industrial da Autoeuropa.

Perdas no parque industrial

Enquanto os 5600 postos de trabalho estão assegurados na fábrica da Autoeuropa, o mesmo não se pode dizer das quase duas dezenas de empresas que fornecem componentes para a maior exportadora de Portugal em 2019.

“Há várias empresas que não renovaram contratos. Houve 1000 postos de trabalho que ficaram perdidos por causa da pandemia”, denuncia Daniel Bernardino. Até esta sexta-feira, havia cerca de um terço dos trabalhadores no parque industrial sob regime de lay-off. Mas nestas empresas os trabalhadores ficaram a receber apenas dois terços do ordenado, a cargo da Segurança Social.

Até ao final de abril, já tinham sido perdidos mais de 700 postos de trabalho no parque industrial da Autoeuropa, segundo informação divulgada pela agência Lusa dia 29 de abril.

(Notícia corrigida às 12h25 de 23/05/2020: A versão original desta notícia referia que a Autoeuropa deixaria de estar em lay-off a partir de 25 de maio, informação que não está correta e que foi retificada nesta versão.)

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