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Aveleda investe sete milhões no enoturismo

A Quinta da Aveleda, em Penafiel, é um dos aderentes da Rota dos Vinhos Verdes com propostas especiais para assinalar o Dia Mundial do Enoturismo. Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens
A Quinta da Aveleda, em Penafiel, é um dos aderentes da Rota dos Vinhos Verdes com propostas especiais para assinalar o Dia Mundial do Enoturismo. Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens

Depois de os Verdes, Bairrada e Douro, o Algarve. Empresa comprou uma quinta em Alvor e os vinhos chegam já em abril

A Aveleda está a investir sete milhões de euros, até 2022, num projeto de enoturismo no Algarve. O valor inclui a recente aquisição da Quinta Morgado da Torre, em Alvor, uma propriedade de 80 hectares com 13 de vinha já plantada, área essa que a empresa familiar, liderada por Martim Guedes, pretende expandir até aos 70 hectares, bem como construir um espaço de visitas para receber turistas, com sala de provas, loja e um restaurante.

Martim Guedes estima que, em 2023, o projeto no Algarve contribua já com dois milhões de euros de faturação, igualmente divididos entre as vendas de vinhos e o enoturismo. A Aveleda fechou 2018 com vendas de 38 milhões, mais 7% do que no ano anterior.

Nascida em Penafiel, no coração dos Vinhos Verdes, onde conta com 350 hectares de vinha já plantados e um projeto para chegar aos 550 hectares em 2020, a Aveleda está, ainda, presente no Douro, com as quintas do Vale do Sabor e Vale Dona Maria, e na Bairrada, com a Quinta da Aguieira. Chega agora ao Algarve, depois de ter ponderado investir no Alentejo.

“Há muita concorrência pela uva, cujo preço tem subido bastante, sem que isso se reflita. É uma região para se trabalhar com margens muito pequenas e isso traz risco para o negócio. Não achamos que o Alentejo seja assim muito sexy para quem está a chegar”, diz o CEO da Aveleda.

O Algarve surgiu por mera coincidência, a partir de uma proposta de um amigo da família, negócio esse que nunca chegou a avançar, mas que permitiu à empresa conhecer mais a fundo a oferta da região, uma “boa surpresa”, dispondo de “excelentes vinhos”, mas que passam algo despercebidos no mercado. “Por cada litro de vinho do Algarve que se vende em Portugal vendem-se 80 litros do Alentejo. É fácil perceber porque passa o Algarve despercebido.” Uma região com clima e solos “comparáveis à Provence”, no sul de França, e com “potencial para ser uma referência nos vinhos rosé de qualidade”.

Combate à sazonalidade

As negociações para a compra de metade da propriedade Quinta Morgado da Torre (pertença de dois irmãos) e das marcas e stocks de vinhos prolongou-se por quase um ano e foi concluída em janeiro. Nesta propriedade, situada paredes-meias com o campo de golfe da Penina e com uma vista privilegiada para a ria do Alvor, para o mar e para a serra de Monchique, irão, agora, ser construídos, de raiz, os vários edifícios para o polo de viticultura, que incluirá uma adega, e para o centro de visitas, com restauração, mas sem alojamento, área em que a oferta algarvia “está já bem sedimentada”.

O objetivo da empresa é focar-se na oferta de ocupações alternativas à praia e ao golfe. “Os estrangeiros vêm o ano todo e gostam de jogar de manhã bem cedinho, o que significa que ficam com a tarde livre e, realmente, há pouca oferta fora do verão no Algarve e é um bocadinho aí que nos podemos encaixar”, explica Martim Guedes. A meta é ter a funcionar dentro de dois anos o centro de visitas, desenhado à semelhança daquele que a Aveleda tem na sua sede em Penafiel, e por onde passaram, no ano passado, 30 mil visitantes. Por definir está, por exemplo, a capacidade da nova adega, apenas porque o projeto está ainda a ser desenhado. “Teremos de prever espaço para crescer porque não sabemos qual vai ser o futuro, mas temos de estar preparados para isso.”

Mas a aposta da Aveleda é, também, nos vinhos da propriedade, até aqui vendidos com a marca Alvor e que chegarão ao mercado já em abril, rebatizados de Villa Alvor e divididos em três gamas de preço: os Colheita, gama de entrada, vão custar seis euros; os monovarietais, da gama Singular, 10 euros, e os topo de gama, os Domus, custarão 15 euros. Todos estarão disponíveis nas versões branco, tinto e rosé, mas serão apenas vendidos na região. “Já temos disponíveis os vinhos da vindima de 2018, mas a quantidade é tão pequena que nos vamos focar só no Algarve, não temos stock de vinho suficiente para o país todo. Mas lá havemos de chegar”, frisa o CEO da Aveleda. Que tem já clientes interessados em vender estes novos vinhos nos EUA, Canadá, Noruega e Suécia, entre outros.

Bairrada regressa em 2021

Com um plano de investimento de 42 milhões de euros em curso – entre 2015 e 2020 -, Martim Guedes garante que o tempo é de consolidação. “Já demos aqui passos grandes, está na altura de sossegarmos um bocadinho. Seguramente em 2019 e 2020 não faremos nada de novo, vamos consolidar o que temos, até porque ainda possuímos 200 hectares de vinha para plantar na região dos Vinhos Verdes”, sublinha. O que não significa que não haja novidades por que ansiar, designadamente nos vinhos da Bairrada, onde está presente desde 1998, embora, nos últimos anos, se tenha retirado do mercado. A substituição da marca Quinta da Aguieira por Follies “não correu bem” e a Aveleda regressa ao nome original, em 2021, mas com vinhos envelhecidos.

“A Bairrada tem de se diferenciar pela capacidade extraordinária de envelhecimento dos seus vinhos. Vamos vender colheitas com quatro anos de envelhecimento para marcar a diferença. Será um projeto de nicho, mas que acho que pode ser um projeto premium”, conclui

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