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Aveleda reforça no Douro com a compra da Quinta Vale D. Maria

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O valor do negócio mantém-se em segredo. Cristiano van Zeller continua a liderar a empresa duriense e assume uma posição na Aveleda

A Aveleda, empresa líder na Região dos Vinhos Verdes, anunciou, esta quinta-feira, o reforço da sua operação no Douro com a aquisição da Quinta Vale D. Maria, localizada no vale do Rio Torto, pertencente ao primo Cristiano van Zeller. A operação, cujo valor não foi adiantado pelas partes, inclui uma troca de participações e a integração deste no leque de acionistas da Aveleda. A gestão da empresa duriense, que se passa a chamar Quinta Vale D. Maria – Vinhos SA, mantém-se a cargo de Cristiano e da sua equipa, na qual se incluir a filha Francisca van Zeller, garantindo, assim, “a continuidade da identidade e qualidade dos vinhos produzidos”.

Este é o culminar de um processo negocial que decorreu no último ano, mas que resulta de conversas familiares que se arrastam há quase três décadas. “As nossas relações, além de familiares, muito antigas e muito próximas, levam a que, há uase 30 anos que falamos na realização de projetos conjuntos no Douro. Isto no tempo em que eu ainda era administrador da Quinta do Noval e antes de, em 1996, termos comprado a Quinta Vale D. Maria aos familiares da minha mulher para um projeto próprio. Que se foi desenvolvendo, sem que deixassemos de pensar em trabalharmos juntos e em desenvolvermos vinhos topo de gama no Douro”, explicou, ao Dinherio Vivo, Cristiano van Zeller.

Esta parceria traz à quinta duriense a robustez financeira da associação à Aveleda, o maior produtor e exportador de Vinho Verde em Portugal, com uma faturação, em 2016, de 33,2 milhões de euros. “A Quinta Vale D. Maria ganha uma estrutura que lhe permite um foco exclusivo na produção, comercialização e desenvolvimento das suas marcas super premium, sem outras preocupações. O crescimento de uma empresa tem custos muito elevados e este tipo de parcerias só traz beneficios ao desenvolvimento das marcas”, diz Cristiano, que lembra o projeto de promoção internacional comum dos Douro Boys que inclui, além de Vale D. Maria, as quintas do Crasto, do Vallado, de Vale Meão e a Niepoort. “Esta é uma parceria noutra dimensão e noutro formato, mas, no fundo, resume-se ao mesmo que é conseguir chegar muito mais longe, puxando pelas empresas, mas, também, pela economia regional”, frisa. E a associação aos Douro Boys vai-se manter.

Já Martim Guedes, administrador da Aveleda, adianta que a compra da empresa duriense vem colmatar um grande objetivo da empresa de Penafiel, que era a entrada na gama premium dos vinhos durienses. O ano passado a Aveleda comprou a sua primeira propriedade o Douro, as Seis Quintas de Martue, em Torre de Moncorvo, assumindo a vontade de reforçar a aposta. Esta aquisição permite a diversificação na sua estratégia de longo prazo. “O Douro é uma das regiões com maior crescimento anual com um ritmo médio de cerca de 12,8% em valor. E a Quinta Vale D. Maria é uma das marcas mais consolidadas e prestigiadas de vinhos DOC Douro e do Porto de alta qualidade, com grande reconhecimento nacional e internacional”, sublinha a empresa em comunicado.

Sobre a troca de participações com o primo, Martim não dá pormenores, lembrando que estas são sempre questões delicadas em empresas familiares. Destaca, apenas, que Cristiano van Zeller fica com uma posição minoritária na Aveleda. Quanto ao projeto que será desenvolvido no Douro, assume que irão ser realizados investimentos na adega de Moncorvo e em equipamentos para a melhoria da qualidade, de modo a apoiar a produção dos vinhos Vale D. Maria Rufos e Vale D. Maria The Three Valleys, vinhos de entrada de gama da empresa duriense, com preço de venda ao público de 10 e 20 euros, respetivamente. Quanto vai ser investido e quando é algo que está, ainda, a ser estudado. “Não está, ainda, quantificado. Queremos fazer estes investimentos para termos capacidade para trabalharmos todas as categorias de vinhos, mas é um processo que vai começar a ser desenhado, a partir de agora, com o Cristiano e a equipa da Quinta Vale D. Maria”, explica Martim Guedes. A intenção é manter a gama de produtos já existente, mas garantir um aumento qualitativo, diz.

Francisca van Zeller, filha de Cristiano van Zeller e que tinha a responsabilidade, desde 2013, da área comercial, de comunicação e marketing da Quinta Vale D. Maria, mantêm o cargo de Brand Manager dos vinhos premium do portefólio existente, que inclui todas as marcas Quinta Vale D. Maria, CV-Curriculum Vitae e Van Zellers & Co.

Com 45 hectares de vinhas, próprias e arrendadas, a Quinta Vale D. Maria exporta cerca de 65% da sua produção para mais de 35 países.

 

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