Aviação. "easyJet quer crescer em Portugal" e se houver slots disponiveis em Lisboa quer o máximo possível

Diretor da easyJet para Portugal, José Lopes, explicou que em 2022 "esperamos operar mais 8% do que tínhamos antes da pandemia, em 2019".

A easyJet está em Portugal há cerca de duas décadas e tem uma ambição: quer continuar a crescer. Um entrave a esse crescimento é a falta de slots - faixas horárias que permitem a descolagem e aterragem - em especial no aeroporto de Lisboa. Por isso, José Lopes, diretor-geral da easyJet para Portugal, assume que a companhia low-cost está a acompanhar o desenrolar do processo de reestruturação da TAP - que ainda não recebeu luz verde de Bruxelas - e que se a Comissão Europeia aprovar o documento, mas pedir uma redução de slots à TAP, a easyJet está interessada.

"Queremos continuar a crescer, em especial em Lisboa e no Porto", assumiu o responsável, que não escondeu que no Porto têm existido mais oportunidades para adquirir slots do que na capital. "Seguimos atentamente o processo de reestruturação da TAP e vamos ver como se desenrola. O que deixamos claro: a easyJet quer crescer em Portugal. Se houver slots disponíveis vamos ficar" com o máximo possível, afirmou em conferência de imprensa esta quarta-feira no Funchal José Lopes.

O líder da companhia aérea low-cost para o mercado nacional assegurou que a empresa quer crescer 8% a operação neste ano - o ano fiscal para a empresa arrancou a 1 de outubro. "Para 2022, esperamos operar mais 8% do que tínhamos antes da pandemia, em 2019. Estamos a falar de aumento de 117% do que operámos no ano passado (ano fiscal terminou a 30 de setembro de 2021), afirmou.

Desde 1 de dezembro de 2021 que estão em vigor novas regras para a entrada em Portugal. O Governo deliberou que as companhias aéreas têm de verificar que os passageiros com destino a Portugal - final ou em trânsito - têm de apresentar um teste negativo à covid-19 no momento do embarque. Caso não cumpram estas normas, pode ser aplicada uma coima, entre 20 a 40 mil euros por passageiro, às transportadoras. José Lopes defendeu que as declarações do primeiro-ministro foram "duras" e "injustas" para grande parte do setor da aviação.

Admitiu que a transportadora está a cumprir as regras determinadas pelo Executivo e estão a pedir que as equipas da easyJet que lidam com os passageiros que, após os voos, assinem um documento em que confirmam que verificaram todas as pessoas. Reconhece que há autos que foram levantados relativos a passageiros que voaram com a low-cost mas que ainda não pagou nenhuma coima. E alertou que há companhias aéreas que estão a escrever ao governo a dizer que estão a pensar cancelar toda a operação em Faro neste inverno.

Em relação ao impacto potencial das restrições em vigor à entrada em Portugal, bem como, à nova variante, o líder da easyJet diz que "o impacto na procura não foi necessariamente pela variante mas pelas restrições e, no caso de Portugal, por causa" das restrições que entraram em vigor no dia 1, antes da proliferação da Ómicron. "Sentimos, e na altura essas restrições tiveram impacto na procura - estávamos com uma tendência positiva, até superior à média europeia - e a partir das restrições a procura passou a negativa. Mas não tivemos de cancelar voos, exceto quanto o governo suíço obrigou a quarentena", acrescentou.

Balanço de 2021

Em junho de 2021, a companhia low cost abriu uma base aérea em Faro, alocando mais três aviões no mercado nacional. Sendo que, indica a companhia, serão quatro no verão 22, gerando cerca de 100 novos empregos diretos e melhorando a conectividade do país com o resto da Europa e Reino Unido.

A easyJet está em Portugal desde 1998 e vincou durante a apresentação que a evolução que espera para a procura em 2022 é o motivo pelo qual decidiram colocar o quarto avião em Faro. Explicam que com este novo avião, a frota baseada em Portugal fica nos 13 aviões - 5 em Lisboa, 4 no Porto e 4 em Faro - a "que se juntam aos 16 não baseados, perfazendo uma frota total de 29 aviões a servir o território nacional".

"Todos estes movimentos promoveram a criação de emprego para mais de 460 pessoas".

Especificamente, no caso do Funchal, a easyJet está desde 2007 e indicou que "tem um crescimento YOY [anual] de 46% nos últimos seis meses (julho a dezembro), o que colocou a companhia em primeiro lugar na região".

*Jornalista viajou a convite da easyJet

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