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Azeite Picoto estreia-se nas cozinhas da rede Almayass

Rui Cardoso abandonou a engenharia civil para se dedicar à produção de azeite premium. FOTO: D.R.
Rui Cardoso abandonou a engenharia civil para se dedicar à produção de azeite premium. FOTO: D.R.

A Picoto tem a sua estratégia direcionada para a qualidade e exportação

A Picoto, micro empresa especializada na produção de azeite premium, está a preparar a entrega da primeira encomenda para a cadeia internacional de restaurantes Almayass. Este contrato valeu 7% nos 100 mil euros que vai faturar este ano, revelou Rui Cardoso, administrador da empresa. E em 2019 mais virão. A marca Almayass explora sete restaurantes em geografias como Nova Iorque, Kuwait, Doha ou Dubai e já foi por diversas vezes considerada um must go por várias publicações no mundo.

A estreia da Picoto na restauração implicou a criação de uma solução para o enchimento do azeite em embalagens de cinco litros. Rui Cardoso inspirou-se nas bag in box que viu em Espanha e apostou nos melhores materiais para embalar o azeite. Como sublinhou, é necessário ter matérias primas de qualidade e adaptadas ao produto como a folha de alumínio, o cartão e a torneira. Afinal, estamos a falar de “um dos melhores azeites do mundo”. E porquê?: “Temos participado em muitos concursos internacionais e regularmente somos distinguidos com ouro, prata e bronze. Estamos sempre na linha da frente dos azeites portugueses”.

A Picoto tem conquistado o mundo. Segundo Rui Cardoso, as exportações valem quase 90% do negócio e os principais mercados são o Japão, China, Emirados Árabes Unidos e Europa. Para o Japão, a empresa investiu numa embalagem própria (tubos de 100 e 250 mililitros), de acordo com os requisitos de consumo dos japoneses. “Fomos a primeira empresa do mundo a encher azeite em tubos”, frisou. Aliás, as embalagens são uma prioridade para a empresa de Celorico da Beira. A Picoto tem apostado em garrafas de alumínio, material ambientalmente mais sustentável e que protege melhor o produto. Segundo Rui Cardoso, o ar, a temperatura e a luz são os “inimigos” da conservação do azeite.

Rui Cardoso sempre acalentou cumprir com o sonho do avô que, em 1950, iniciou a atividade de olivicultor na Quinta do Picoto, mas sem marca própria. O neto, que nasceu em Maçal do Chão (Guarda) e viveu entre as oliveiras do Picoto durante os seus primeiros anos, acarinhava o projeto para os anos da reforma, mas a vida trocou-lhe as voltas. A profissão de engenheiro civil não lhe encheu as medidas e, em 2013, regressou às origens e pôs mãos à obra. Registou a marca Picoto e definiu uma estratégia.

Hoje, com 34 anos, este empreendedor diz com orgulho que, em 2018, “pela primeira vez”, não vão ter prejuízo, vão “fechar o ano com lucro, embora não muito alto”. Até ao momento, a empreitada já implicou um investimento de meio milhão. Rui Cardoso apostou na produção de três tipos de azeite (tradicional, biológico e de oliveiras velhas) e só entrou no mercado há quatro anos, quando o produto atingiu a qualidade pretendida. Da Quinta do Picoto só sai azeite biológico e a produção representa 10% das necessidades globais da empresa.

Para responder ao negócio, que carece de 150 mil toneladas por ano para a produção dos três azeites, a Picoto firmou um conjunto de parcerias com olivicultores de Trás-os-Montes e da Beira Alta. Como explicou, dá apoio aos agricultores e acompanha todo o processo produtivo da azeitona. A empresa está a finalizar a compra de um terreno com 3000 oliveiras centenárias.

A Picoto tem visto a faturação duplicar todos os anos, fruto do trabalho na promoção do azeite. A empresa despende 25 mil euros por ano para marcar presença em feiras e eventos de divulgação. E é aí que este jovem empreendedor se sente desacompanhado. “O azeite precisa urgentemente da atenção do Estado, de se dar a importância que se deu ao vinho há 15 anos, de se promover a origem, que é o mais difícil de vender”.

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