Climate Change Leadership

BA Vidros vai ter a maior instalação ibérica de painéis fotovoltaicos

Linha de produção da fabrica BA Vidro em Avintes. Fotografia: Fabio Poço / Global Imagens
Linha de produção da fabrica BA Vidro em Avintes. Fotografia: Fabio Poço / Global Imagens

Investimento de 5,5 milhões de euros em painéis solares no telhado da fábrica espanhola do grupo vai dotar a empresa de uma produção diária de 8 megawatts de energia por dia

Reduzir a pegada ambiental é, também, uma das preocupações da BA Vidro, empresa com sede em Avintes e que conta com 12 fábricas em sete países. Uma área em que aposta já lá vão mais de 20 anos, garante Sandra Santos, presidente executiva do grupo, quando começaram por investir em estações de tratamento do vidro recolhido em vidrões para o voltar a reintroduzir no processo produtivo. As energias renováveis são uma das grandes preocupações atuais, e a empresa prepara-se para instalar painéis fotovoltaicos no telhado da sua fábrica de Vila Franca de Los Barros, no sul de Espanha, naquela que será, garante, “a maior instalação ibérica” do género. O investimento é de 5,5 milhões de euros.

“Vamos avançar com este investimento este ano que nos vai permitir produzir cerca de 8 megawatts ao dia, o que é substancial. É evidente que não é suficiente, ainda assim, para cobrir todas as nossas necessidades de eletricidade, mas vai cobrir uma parte significativa”, explica a CEO da BA, sublinhando que “esta é uma primeira experiência e que, se correr bem, será alargada a outras fábricas do grupo”. Com unidades produtivas em Portugal, Espanha, Alemanha, Polónia, Roménia, Bulgária e Grécia, a BA Vidro produz mais de oito mil milhões de garrafas ao ano, em 11 cores distintas. Conta com 3.800 funcionários e distribui embalagens de vidro em mais de 80 países em todo o mundo. Fatura 900 milhões de euros ao ano.

Sandra Santos falou ao Dinheiro Vivo à margem da conferência Climate Change Leadership – Soluções para a Indústria do vinho, na qual a BA Vidro participou num dos painéis deste terceiro dia de trabalhos da cimeira do clima que reúne, no Porto, mais de 30 especialistas mundiais de 40 nacionalidades distintas, e admitiu que os números da reciclagem de vidro em Portugal é muito baixa. “Era possível reciclar 100% do vidro que consumimos se fosse possível recolhê-lo. Não é possível ainda. Hoje temos em Portugal uma taxa de recolha de mais ou menos 60%, que é muito baixa, porque quanto mais vidro for recolhido mais a indústria o irá utilizar”, diz Sandra Santos, lembrando que, para a indústria, o uso de vidro reciclado “é uma oportunidade, não só de reduzir custos, mas, também, de criar maior eficiência”, já que o uso de vidro reciclado faz baixar o consumo energético dos fornos, o que, por sua vez, permite diminuir as emissões de CO2.

Com uma produção anual da ordem de 2,2 milhões de toneladas ao ano (só Portugal e Espanha asseguram 1,2 milhões), a BA Vidro trata mais de 400 mil toneladas de resíduos ao ano, que correspondem a, apenas, 40 a 45% da matéria-prima do grupo. Poderia ser muito mais. “Quanto mais as autoridades forem capazes de recolher, mais nós reintroduzimos na cadeia produtiva. Não há qualquer limitação”, garante.

O grupo investiu mais de 12 milhões de euros nos últimos anos só em sustentabilidade, designadamente na compra de tecnologias mais amigas do ambiente. Os fornos, por exemplo, são “altamente consumidores de energia”, isto apesar de, nos últimos 25 anos, este consumo se ter reduziu em mais de 50%. Mas Sandra Santos acredita que será possível ir mais longe ainda. “Hoje estamos a investir, como indústria, na procura de um forno elétrico. No âmbito da Federação Europeia de Vidro estão-se a fazer estudos e desenvolvimentos no sentido de encontrar um forno pelo menos híbrido, mas bastante mais elétrico do que ele é hoje, porque temos a certeza absoluta que esse vai ser o futuro. Só falta saber quanto tempo precisamos mais para concretizar esse projeto”, frisa.

Além disso, e para ajudar a própria indústria do vinho, que precisa de baixar a sua pegada ambiental, a BA Vidro tem procurado, também, investir na redução do peso das garrafas, tornando-as mais leves – 30 a 40%, dependendo do tipo de garrafas -, mas “igualmente ou até mais resistentes”, assegura. “Hoje é possível criar garrafas bastante leves, não há grandes limitações. Isso pode condicionar o shapping da garrafa, mas em todo não condiciona sequer o branding. É preciso estar disponível para experimentar. Digo sempre isso aos nossos clientes, é preciso arriscar um bocadinho, obviamente garantido que o consumidor final não vai ter qualquer tipo de problema. Mas é possível fazer mais do que o que fazemos hoje. E aquela ideia de que as garrafas pesadas são muito seguras ou muito premium provavelmente os jovens vão-nos dizer outra coisa brevemente”, frisa.

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