Bancos cortaram mais de 10 mil postos de trabalho desde 2012

Reestruturação. A redução do emprego nos bancos portugueses foi uma das maiores da zona euro. Instituições estão hoje mais eficientes, considera BCE

Os bancos portugueses foram dos que mais reduziram o número de trabalhadores e de balcões na zona euro desde 2012.

As entidades financeiras nacionais cortaram em 10 764 o número de funcionários entre 2012 e 2016. Ficaram reduzidos a 46 584, segundo cálculos do DN/Dinheiro Vivo baseados em dados divulgados ontem pelo Banco Central Europeu (BCE).

Percentualmente, a quebra foi de quase 19%. Apenas os sistemas bancários da Grécia e de Espanha tiveram uma descida relativa maior, com quebras de 25% e 20%, respetivamente.

No total da zona euro, o número de funcionários baixou 7,7%. O setor tinha cerca de 1,96 milhões de empregados no final de 2016, menos 165 mil do que no final de 2012.

Portugal está ainda entre os que mais cortaram no número de balcões. Naquele período, desapareceram mais de 1330 agências, uma descida de mais de 21%. Sobraram 4928 balcões.

No total da zona euro, a redução de balcões foi de 13%. Foram eliminados quase 22 500, existindo, no final de 2016, menos de 150 mil.

Apesar de o ritmo na descida de balcões em Portugal ter sido mais rápido do que na zona euro, o sistema bancário nacional ainda tem mais agências por habitante do que a média.

Segundo as estatísticas do BCE, existem 2096 habitantes por cada balcão bancário; a média da zona euro é de 2278 habitantes, sendo que em países como a Holanda existem mais de dez mil pessoas por cada agência.

Já na relação entre a população e o número de funcionários bancários a tendência é diferente. Em Portugal, por cada empregado existem 222 pessoas. Essa relação na zona euro é de um funcionário por cada 174 habitantes.

BCE destaca melhoria na eficiência

A redução de balcões e de funcionários insere-se nas estratégias que os bancos portugueses tiveram de seguir para responder aos prejuízos dos últimos anos, tendo sido frequentes processos de rescisões e de reformas antecipadas.

O BCE nota que os indicadores de eficiência dos bancos portugueses dão sinais de melhoria, ajudados também pela concentração que tem existido no setor.

“Os bancos na Finlândia, Grécia, Letónia e Portugal tiveram as maiores melhorias de eficiência”, refere o relatório sobre indicadores da banca europeia. O rácio entre os custos de estrutura e o produto bancário do setor nacional caiu de 61,5% para 59% no ano passado, ficando praticamente em linha com a mediana da zona euro. Quanto mais baixo o indicador, maior a eficiência operacional. O BCE explica que “parte desse fator é atribuível aos esforços significativos de consolidação”.

Mas a melhoria nos indicadores de eficiência não foi suficiente para melhorar a rentabilidade da banca nacional, dado o elevado esforço de provisionamento que teve de ser feito devido à elevada carteira de crédito malparado.

“Os setores bancários italiano e português enfrentaram subidas significativas nas provisões e imparidades, indicando um aumento dos esforços para restaurar a solidez dos balanços”, nota o BCE. E isso levou a rentabilidade dos bancos descer “de níveis que eram já relativamente baixos”.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de