Banif. O rodapé de 17 minutos que levou à fuga de depósitos

Sérgio Figueiredo admitiu que a informação sobre os depósitos foi "uma interpretação que não estava adequada".

O diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, admitiu aos deputados da comissão parlamentar de inquérito ao Banif que a informação sobre os depósitos acima dos 100 mil euros não estarem assegurados com o fecho do banco foi "uma interpretação que não estava adequada".

Primeiro disse-o a João Galamba, do PS, e voltou a repeti-lo a Mariana Mortágua, do BE.

"Essa componente do rodapé foi corrigida ao fim de 17 minutos porque contactos que foram feitos disseram exatamente o contrário. A TVI durante 17 minutos teve em rodapé um cenário que era possível mas que não foi o adotado pelas autoridades nacionais", admitiu.

Tendo revelado que a informação da TVI veio de fontes documentais, nomeadamente de uma carta entre o BdP e o ministério das Finanças de 12 de Dezembro, Sérgio Figueiredo assumiu váris vezes a responsabilidade mas lembrou que não estava na redação nesse dia e coordenou os trabalhos e contactos à distância. Questionado por Mortágua sobre se todas as partes foram contactadas afirmou que sim mas que não podia precisar se o foram antes, durante ou depois do rodapé ter sido publicado.

Leu a carta toda antes do rodapé que a TVI publicou?, questionou o deputado do CDS João Almeida

"Eu pessoalmente não li, confio na equipa que tinha a carta e as informações, dei autorização porque sim, porque não podia fazer de outra forma".

Em resposta ao deputado do PS João Galamba Sérgio Figueiredo admitiu que a questão dos depósitos acima dos 100 mil euros não estarem assegurados foi "uma interpretação que não estava adequada. Não era nem absurda nem com intenções alarmistas porque era a aplicação da lei em vigor. Pensava-se que o Fundo de Garantia Salarial fosse usado para resolver a questão dos depósitos e para a notícia 17 minutos depois estar corrigida foi porque alguém com responsabilidades nos disse que esse cenário no ia ser aplicado."

Ainda assim, voltou ao tema da responsabilidade sobre a fuga de depósitos: "Estar a ligar isso à fuga dos 900 milhões é uma conclusão que eu não partilho nem posso compreender. Não estou a negar o impacto mas o programa só estava a ser visto na altura por 60 mil pessoas e passou num canal de cabo".

"Tenho pena de não ter feito o que devia ter feito e o que provavelmente faria se fosse um dia da semana, era ter interrompido a emissão e ter dado o destaque que devia com as correções, não devia ter esperado pelo jornal da meia noite", admitiu.

Mas, frisou, a notícia não foi desmentida "porque estava certa".

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