Bankinter ganha 8500 clientes em Portugal e quer dar 1200 milhões em crédito

O banco espera que mais de metade do valor do crédito seja concedido a empresas

A separação de sistemas entre Barclays e Bankinter está praticamente concluída, mas ainda há pormenores a afinar. O banco espanhol, que adquiriu em abril do ano passado a operação do banco britânico em Portugal por 86 milhões de euros, quer marcar o primeiro aniversário no país com a conclusão total do processo de integração. Em abril deste ano, a separação deverá estar completa.

A garantia foi dada pela CEO do Bankinter, Maria Dolores Dancausa, numa conferência que teve lugar esta quinta-feira em Madrid, no âmbito da apresentação dos resultados anuais do banco espanhol.

A responsável sublinhou que o crescimento do Bankinter em Portugal nos próximos anos será totalmente orgânico, e descarta vir a participar em mais processos de aquisição no país. “O objetivo é ser rentável”, nota.

Dancausa afirma ter “muita esperança” na operação portuguesa do banco, que em nove meses gerou um resultado líquido superior a 96 milhões de euros. Sublinhando que os anos duros da reestruturação em Espanha já ficaram para trás, a responsável vê no atual momento do setor financeiro em Portugal “uma enorme oportunidade”.

Dancausa garante ainda que a equipa que faz a gestão da operação do banco em Portugal, liderada por Carlos Brandão, tem “muita autonomia”. Para o final deste ano o banco tem preparada a reformulação de todo o sistema de homebanking.

Quando aterrou no ano passado em Portugal, o Bankinter herdou uma carteira de 173 mil clientes do Barclays. O banco atravessou a fase das dúvidas dos clientes que passaram de uma instituição para a outra com cautela, sendo que no final do processo terão permanecido no Bankinter quase 99%.

Nos nove meses que leva de operação em Portugal, onde conta com 94 balcões e 900 colaboradores, o banco angariou cerca de 8500 novos clientes, a maior parte, cerca de seis mil, particulares. Carlos Brandão reconhece um crescimento acima das expetativas.

A instituição admite que em Portugal os clientes particulares ainda representam cerca de 80% da operação, mas o objetivo é equilibrar nos próximos anos. A meta traçada no ano passado mantém-se: em 2018 o banco quer ter 60% de clientes particulares e 40% de empresas.

O volume total de crédito concedido pelo Bankinter em 2016 foi de 600 milhões de euros, sendo que o objetivo para este ano é duplicar esse valor para os 1200 milhões. O banco espera que mais de metade desse valor seja concedido a empresas.

Em termos de captação de recursos em Portugal as metas foram ultrapassadas. De um objetivo de 900 milhões de euros o banco garantiu 1,3 mil milhões.

Os planos do banco em Portugal passam ainda por arrancar com a Fundação Inovação, um fundo de investimento em startups que desde 2013 já apoiou 25 empresas em Espanha, a maior parte fintechs. O programa português está em desenvolvimento e ainda no primeiro trimestre deste ano vai dar início a parcerias com universidades para investir em startups portuguesas.

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