BCP. Entrada da Fosun e reforço da Sonangol à espera de luz verde do BCE

Alteração dos limites de voto de 20% para 30% foi adiada para 21 de novembro por falta de luz verde do BCE.

A entrada dos chineses da Fosun no BCP e a possibilidade da angolana Sonangol poder aumentar a sua participação acima de 20% está dependente da autorização do Banco Central Europeu (BCE). Ao que apurou o Dinheiro Vivo essa foi a causa do adiamento da votação em assembleia-geral de acionistas do aumento dos limites de voto no banco de 20% para 30%.

O ponto 2 da ordem de trabalhos da reunião magna de quarta-feira vai ser votado a 21 de novembro e Nuno Amado, presidente do BCP, justificou o adiamento por ainda estarem a ser discutido o “alinhamento de condições, interesses e situações de diversas entidades, para que se possa tomar uma decisão”. Assim, ainda há “um conjunto de aspetos que estão a ser trabalhados ao nível da supervisão.”

A alteração aos limites de voto é uma das condições para que a Fosun fique com 16,7% do BCP via aumento de capital reservado e a expectativa é que na próxima reunião magna o BCE já tenha dado luz verde e os chineses tenham assim reunidas as condições para entrar no banco. A expectativa é que a Sonangol, que tem 17,44%, já tenha a sua autorização para reforçar o capital caso o queira fazer, embora não seja garantido que o vá fazer. O adiamento da votação procurou garantir que a proposta não era chumbada, comprometendo a entrada do novo acionista no banco.

A possibilidade de reforço da Sonangol prende-se com a intenção de manter o equilíbrio na estrutura acionista do banco: o grupo angolano é atualmente o maior acionista do BCP e quer ter a possibilidade se continuar a ser. É que a Fosun admite reforçar até 30% do capital do banco e a Sonangol quer continuar a manter uma posição relevante na estrutura acionista.

Apesar do adiamento da votação - e dos prejuízos de 251,1 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano - o mercado está a reagir bem às mudanças acionistas no BCP. As ações subiram quase 10% nas últimas duas sessões. Ontem valorizaram 4,97% para 1,23 euros.

A constituição de imparidades continua a penalizar os resultados do banco, que está a empreender esforços para limpar o balanço, e que tem sido penalizado por uma queda no crédito e nos depósitos. Por resolver está ainda a questão dos 750 milhões de euros em CoCos que o BCP tem de devolver - o banco continua à espera de autorização para devolver entre 200 a 250 milhões.

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