BCP na China em nova ronda negocial com Fosun

Acionistas reúnem a 9 de novembro para subirem limite de votos para 30%.

Nuno Amado, presidente-executivo do BCP, esteve na China, na semana passada, para uma nova ronda negocial com a Fosun, em mais uma etapa das negociações para que os donos da Fidelidade e da Luz Saúde entrem no capital do banco, apurou o Dinheiro Vivo. A nova ronda negocial coincidiu com a deslocação do primeiro-ministro, António Costa, que levava na agenda encontros informais sobre o futuro da banca, nomeadamente sobre BCP e Novo Banco, que conta com o interesse do grupo Misheng caso a opção seja avançar para Bolsa.

Os contactos têm acelerado nas últimas semanas e os acionistas do banco também serão chamados a pronunciar-se: o BCP convocou ontem uma assembleia-geral de acionistas para 9 de novembro que visa, entre outros pontos, aumentar o limite de votos de 20% para 30% e alargar o número de administradores, dois passos essenciais para que a entrada da Fosun se concretize: os chineses querem 16,7% do BCP, via aumento de capital reservado, num investimento até 236 milhões de euros. E só com várias condições cumpridas é que o negócio avança.

Na convocatória com quatro pontos, estão definidas várias alterações aos estatutos e também o alargamento do conselho de administração até 25 elementos. Contudo, não são referidos quantos novos administradores terão assento no board: a Fosun quer, para já, dois, mas pode aumentar a sua participação até 30% e, nesse caso, terá mais representantes na gestão.

A entrada da Fosun está dependente de outros temas, que já foram sendo resolvidos. O reverse stock split - agrupamento de 75 ações numa só - já foi aprovado e será concretizado a 24 de outubro e também já está garantido que o banco não terá de fazer novas contribuições para o Fundo de Resolução além das já definidas. Faltam, contudo, as aprovações dos acionistas e dos reguladores.

O interesse da Fosun no BCP foi divulgado no final de julho e durante setembro ocorreram várias reuniões do conselho de administração do banco para avançar com as negociações. A emissão de novas ações para o aumento de capital vai implicar a diluição da participação dos atuais acionistas. A Fosun ficará como maior acionista.

Para o BCP, a entrada dos chineses aumenta a estabilidade da estrutura acionista e ajuda a financiar a devolução dos CoCo’s que o banco tem de pagar ao Estado. O BCP ainda tem cerca de 700 milhões de euros para devolver e aguarda autorização para pagar uma tranche de 200 a 250 milhões.

Para o grupo chinês, esta entrada no BCP é “um novo passo no investimento em Portugal” e permite ganhar o controlo do maior banco privado português acelerar a entrada no mercado europeu e africano.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de