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Bessa Design. Quando “memórias apaixonantes” dão peças decorativas

João Bessa apoia-se na “John Lennon console”, ladeado pelo relógio a evocar o seu avô, o “Grand father” e pelo candeeiro “Monroe”, que custa 4950 euros (+IVA). Fotografia: Ivo Pereira/Global Imagens
João Bessa apoia-se na “John Lennon console”, ladeado pelo relógio a evocar o seu avô, o “Grand father” e pelo candeeiro “Monroe”, que custa 4950 euros (+IVA). Fotografia: Ivo Pereira/Global Imagens

João Bessa cria referências únicas de mobiliário e iluminação, 99,9% para a exportação, mas produzidas em fábricas do norte.

Quem se lembraria de ir buscar os óculos de John Lennon para os ampliar e adaptar à base de uma mesa? Ou de usar um par de pernas esguias, a fazer lembrar Marilyn Monroe, como suporte de um candeeiro? E se uma mesa de centro tivesse incorporada duas peças metálicas do jogo de xadrez, com o cavalo a fazer o xeque-mate ao rei? Estas peças existem, foram desenhadas por João Bessa e fazem parte do último catálogo da sua empresa, Bessa Design, com sede no Porto.

“Nós temos um lema: fazemos design baseado em histórias verídicas, em fenómenos culturais, em artistas” – é assim que João Bessa explica o que distingue a sua empresa das demais no mercado do luxo. “Luxo é um conceito vago. Nós somos uma marca de arte e design de peças de decoração – móveis e iluminação – com uma componente mais artística e menos utilitária, mas funcional, e com materiais nobres. Isto é, não nos preocupamos em produzir a baixo custo. Produzimos para um segmento alto.”

Depois de encontrar “a história”, inspirado por “memórias apaixonantes”, João Bessa desenha a peça e encaminha-a para a sua equipa, que a desenvolve. Concebe-se o protótipo cujo passo seguinte é viajar para as principais feiras mundiais, em Paris e Milão, onde é apresentado aos futuros clientes. “Não temos clientes fidelizados, mas temos clientes de todo o mundo”, assegura o empresário, notando que Estados Unidos, China e Rússia são os seus três principais mercados.

É às feiras que, três vezes por ano, leva as novidades e é na sequência dessas passagens que depois chegam as encomendas. Sempre a crescer. No ano passado, a faturação da empresa atingiu os 1,2 milhões de euros, mas João Bessa acredita que neste ano irá atingir os dois milhões.

O grosso das vendas, na ordem dos 99,9%, como diz o empresário, é para a exportação. O mercado interno ainda é “residual”, o que, aliás, está em linha com a estratégia inicial que imprimiu ao projeto: “Para ter sucesso em Portugal, tínhamos de ter sucesso lá fora.”

O segredo? “Os nossos produtos são muito trabalhados e com alma” – revela o designer de 30 anos, nascido em Braga, mas agora residente no Porto, onde tem um dos armazéns da empresa. São produtos made in Portugal, feitos à mão e em pequena quantidade, alguns adaptados à vontade do cliente, explica João Bessa.

Para dar a tal alma aos produtos, os materiais também contam. “Trabalhamos com prata, ouro, latão, mármores nobres, madeiras, pedras preciosas.”…O cuidado é tanto, que João se tornou sócio de uma empresa de Gaia ligada à produção metálica, para conseguir um maior acompanhamento da produção. “Fazemos peças de mobiliário com um acabamento ao nível da joalharia. Tivemos de formar joalheiros para este segmento”, pormenoriza o empresário, dando o exemplo das técnicas de cinzelagem que usa.

Com a subcontratação na génese do projeto, é permanente o recurso a empresas, essencialmente de Rio Tinto, Braga, Paços de Ferreira e Águeda, que garantem a produção, sempre em edições limitadas. João Bessa diz que, no máximo, faz 30 unidades de cada peça. Foi o caso das consolas cujos pilares são duas réplicas (em proporção) das estátuas gigantes da ilha de Páscoa.

Embora tenha criado a empresa sozinho, no início de 2015, conta agora com uma equipa de oito pessoas, no Porto, para desenvolvimento dos desenhos, acompanhamento da produção e parte administrativa.

Gere a empresa como designer de produto, mas nem foi essa a primeira opção quando chegou à universidade. Primeiro, frequentou Gestão e Economia, na Lusíada. A meio do curso viu que “não teria interesse” para a sua vida e mudou para outra licenciatura dentro da mesma academia. Valeram-lhe reminiscências mais antigas e veio acima uma paixão que lhe deu força suficiente para recomeçar um novo rumo.

Sem tempo a perder, começou a preparar a criação da empresa no final de 2014 e iniciou atividade no arranque de 2015. A internacionalização deu-se logo no ano seguinte, sem nunca mais parar de crescer. Aliás, o ano de 2016 ficou também marcado pela distinção como A melhor empresa estrangeira do ano, atribuída pela revista nova-iorquina Design Ip Networks.

Com uma projeção internacional tão efervescente, João Bessa ainda não tem no seu horizonte fazer um plano comercial para Portugal: “O perfil do nosso cliente está lá fora.”

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