BMW aponta baterias ao digital com ajuda portuguesa

Parceria do grupo automóvel alemão com a Critical Software vai render 1000 empregos no final deste ano e 1250 em 2021. BMW não desiste de carros a gasolina e a gasóleo para segurar empregos.

A BMW passou os últimos três dias a mostrar como está a apontar baterias ao digital. O grupo alemão, com sede em Munique, já conta com mais de 7000 engenheiros de software a nível mundial e Portugal também dá uma ajuda, através da parceria com a Critical Software (Critical TechWorks). A fabricante da Baviera também aposta cada vez mais nos carros elétricos mas ainda com a produção de automóveis a gasolina e a gasóleo nos próximos anos, fundamentais para segurar empregos.

"A mobilidade será uma necessidade humana, cada vez mais segura, mais conectada e mais responsável". As palavras são da administradora do grupo BMW com o pelouro dos recursos humanos, Ilka Horstmeier, durante uma mesa redonda realizada esta quarta-feira e que contou com a participação do Dinheiro Vivo.

Portugal está mais envolvido na área tecnológica da construtora alemã graças à joint venture Critical TechWorks. Até agora, já entraram 900 pessoas para esta unidade, que desenvolve boa parte da tecnologia (cada vez mais) presente nos carros da BMW e que permite a interação entre o condutor e a máquina. "Portugal é um dos países que mais nos têm atraído", assume Ilka Horstmeier durante a mesa redonda.

Esta atração tem levado ao reforço constante da equipa da Critical TechWorks, que irá contar com 1000 trabalhadores até ao final deste ano. Para 2021, está prevista a contratação de mais 250 elementos; ou seja, serão 1250 elementos em 2021, recordou ao Dinheiro Vivo fonte oficial desta joint venture, à margem desta conversa.

O que a BMW fez com Portugal foi adotar um dos seus três pilares de recrutamento tecnológico: "olhamos para países onde existem as pessoas e as qualificações mais atrativas para nós". Internamente, a empresa também tem reforçado as competências dos trabalhadores a nível de software e conta ainda com 7000 especialistas nesta área um pouco por todo o mundo.

Ainda no campo digital, houve tempo para falar sobre o futuro da Free Now, a plataforma de mobilidade partilhada que é detida, em partes iguais, pela BMW e pela Daimler (dona da Mercedes). Nas últimas semanas, surgiram notícias que a Uber poderia vir a comprar esta plataforma.

Em nome do grupo, a administradora apenas afirma: "Estamos constantemente a avaliar o que acontece no mercado e quais são os melhores passos a tomar. A covid-19 teve um grande impacto na partilha de viagens."

A parte automóvel

Apesar desta aposta no digital, a BMW não descura minimamente a aposta na indústria automóvel. Desvendou esta semana o protótipo iX, que começará a ser produzido no segundo semestre de 2021 na fábrica alemã de Dingolfing.

Este modelo, totalmente elétrico, é o cruzamento de vários SUV que a BMW lançou nos últimos anos: "comparável com o X5 em comprimento e largura, quase da mesma altura do X6" e com o tamanho das rodas a fazer lembrar o X7, assim o descreveu a marca na apreentação desta semana.

É um veículo para andar em qualquer terreno mas recheado de tecnologia - até mesmo de 5G. "O nível de poder de computação foi desenvolvido para processar 20 vezes mais o volume de dados dos modelos anteriores. Como resultado, cerca do dobro da quantidade de dados sensoriais do veículo pode ser processada, em comparação com o que era possível anteriormente", detalhou a empresa.

Apesar de já ter produzido mais de 620 mil carros elétricos ou híbridos desde 2013, a BMW ainda conta com a produção de carros a gasóleo e a gasolina por mais alguns anos. Até mesmo na Alemanha, onde poderão ser produzidos automóveis com diferentes motorizações ou baterias, o que permitirá proteger os empregos no país onde a empresa nasceu há 105 anos.

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