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BMW e VW preparam-se para reforçar investimento em Portugal

Centro de Desenvolvimento da Volkswagen terá 300 pessoas até 2020. Fotografia: Volkswagen
Centro de Desenvolvimento da Volkswagen terá 300 pessoas até 2020. Fotografia: Volkswagen

Os dois grupos automóveis alemães escolheram Portugal para desenvolver novas soluções tecnológicas e vão criar, ao todo, cerca de 800 empregos nos próximos dois anos. Mas os números poderão não ficar por aqui, como revelam os responsáveis destes projetos em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Martin Hofmann (VW) “Queremos trazer pessoas do estrangeiro para cá”

Mais do que uma empresa de engenharia, o Grupo Volkswagen quer assumir-se como uma empresa de software, tendo escolhido Lisboa para abrir o primeiro centro de desenvolvimento em meados deste ano. Até ao final de 2020, serão contratadas 300 pessoas, mas o gigante automóvel alemão já admite aumentar este número nos anos seguintes com a mudança de estrangeiros para o mercado português.

O país também poderá ser escolhido para testar vários projetos tecnológicos, como o uso da computação quântica para melhorar a gestão de tráfego, como refere o responsável de inovação da Volkswagen em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Martin Hofmann, responsável do Grupo VW para a área da inovação. (Filipe Amorim / Global Imagens)

Martin Hofmann, responsável do Grupo VW para a área da inovação. (Filipe Amorim / Global Imagens)

O vosso centro de desenvolvimento de software vai ter 300 pessoas na fase um. O que poderemos esperar da fase dois?
Para já, vamos contratar 300 pessoas e não sabemos como o mercado vai reagir. Vamos puxar os limites do mercado de trabalho porque não somos os únicos a contratar os melhores talentos de Portugal. Depois da fase um, se tivermos de encontrar formas alternativas de contratar pessoas do estrangeiro para virem para Portugal trabalhar connosco, isso seria a fase dois.

A fase dois só vai começar após 2020?
Talvez mais cedo. Depende de quão rápido conseguiremos crescer e de quão cedo vamos chegar ao limite.

O que estão a desenvolver no centro?
Os programadores e os designers de UX vão construir software centrado nos consumidores, como aplicações para ligar ao carro e fornecer mais serviços. Também vamos desenvolver soluções que tornem o nosso grupo mais moderno.

Têm recebido muito apoio da Câmara de Lisboa? Qual é a relação com o município?
A VW sente-se em casa em Portugal e isso torna fácil transferir a nossa relação de longo prazo para o futuro digital. Temos uma relação muito próxima com o presidente de Câmara de Lisboa e a sua equipa, que respiram digitalização e criam um ambiente único para startups e empresas como nós.

Que serviços podem prestar prestar às cidades e empresas foram do grupo Volkswagen?
Temos discutido com o presidente de câmara que tipo de serviços de mobilidade e tecnologias poderemos desenvolver juntos e testar na cidade de Lisboa. Durante a Web Summit, anunciámos que vamos usar os algoritmos de computação quântica daqui a um ano, e testámo-los. Queremos que Lisboa seja a primeira cidade do mundo a usar os serviços de computação quântica para tentar otimizar o tráfego. Estamos muito entusiasmados.

Vão fazer parcerias com startups?
Com certeza, se a empresa certa estiver à nossa procura. Temos tantas parcerias com startups em todo o mundo, pelo que não há razão para não termos uma empresa portuguesa connosco. Mas tem de haver o encontro certo. Procuramos as empresas que nos possam ajudar a desenvolver.

Leia mais: Mercedes instala centro digital em espaço partilhado no Beato

Christoph Grote (BMW) “Podemos ter mais do que 500 pessoas no projeto”

O Grupo BMW escolheu a Critical Software para desenvolver novas soluções para a área automóvel a partir dos escritórios em Lisboa e do Porto. Daqui a um ano, haverá um total de 500 pessoas envolvidas nesta parceria, mas a marca de Munique já tem outras metas para o período pós-2020, como revela Christoph Grote, vice-presidente do Grupo BMW para a área de eletrónica, em entrevista concedida ao Dinheiro Vivo durante a Web Summit.

Christoph Grote, vice-presidente da BMW para a área eletrónica. (Foto: DR)

Christoph Grote, vice-presidente da BMW para a área eletrónica. (Foto: DR)

Já têm 230 pessoas a trabalhar em Lisboa e no Porto. O que faz cada um dos escritórios?
Estamos a criar tecnologia para o interior e para o exterior do veículo. O escritório de Lisboa está mais focado na tecnologia para o interior do veículo e está a crescer mais depressa do que o do Porto porque começou com uma equipa mais pequena. O escritório do Porto aposta em soluções para o exterior do carro mas também está a crescer.

Que tecnologias estão a ser desenvolvidas?
O carro conectado é uma das nossas maiores apostas. Já estamos a desenvolver esta solução de software há vários anos. Em Lisboa, desenvolvemos um sistema HMI, um assistente pessoal que faz a ligação entre o carro e o condutor. No Porto, além deste sistema, também desenvolvemos outras soluções, que apoiam na produção dentro do Grupo BMW.

Que tecnologias desenvolvidas em Portugal vão estar nos carros da BMW?
Começámos a trabalhar imediatamente com produtos que já estão instalados dentro dos carros. Há pessoas que trabalham em software já a funcionar no interior deste veículo, como o sistema de infotenimento. O sistema de inteligência artificial desenvolvido em Portugal também vai integrar em breve os nossos veículos.

Vão ter outros parceiros portugueses?
Para já, só estamos a trabalhar com a Critical Software.

Qual a necessidade de distribuírem o trabalho por vários parceiros?
É natural que se usem os melhores componentes para desenvolver a tecnologia e, se for necessário, temos de recorrer a eles. Mas esta escolha é bastante criteriosa. Ainda assim, em áreas cruciais, o desenvolvimento de software é exclusivamente nosso.

Querem terminar 2019 com 500 pessoas no projeto Critical Techworks. Os escritórios de Lisboa e Porto são suficientes?
Para já, são espaços suficientes. Não estamos à procura de mais localizações em Portugal.

Portugal pode ser uma plataforma de testes para o Grupo BMW?
Queremos criar projetos inovadores, não um mero centro de pesquisa que produza coisas só para exibir.

A partir de 2020, quais são os planos deste projeto?
Temos planos de expansão. Imagino que possamos crescer e ter mais do que 500 pessoas, mas isso depende de como as coisas vão aumentar em Portugal. Temos um compromisso de longo prazo. A inovação não é uma moda, é uma paixão.

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