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Boeing. Crise com 737 MAX põe encomendas em mínimo de décadas

Aviões Boeing 737 MAX estacionados na fábrica da empresa em Washington, enquanto esperam autorização para voltarem a ser utilizados. (REUTERS/Lindsey Wasson  )
Aviões Boeing 737 MAX estacionados na fábrica da empresa em Washington, enquanto esperam autorização para voltarem a ser utilizados. (REUTERS/Lindsey Wasson )

PIB norte-americano também se vai ressentir com a crise instalada na fabricante de aeronaves, uma das maiores exportadoras dos EUA.

A crise aberta com o 737 MAX parece não ter fim. No ano passado, a Boeing viu as encomendas de novas aeronaves caírem para um mínimo de várias décadas e as entregas de aviões descerem para valores de 2008. Os números da produtora norte-americana contrastam com os da concorrente europeia Airbus que já anunciou um fecho de 2019 com 768 encomendas para novos aviões e 863 entregas concluídas, um número recorde.

A fabricante norte-americana, que autorizou o cancelamento ou modificação das encomendas depois do segundo acidente com um avião do modelo 737 MAX, recebeu ao longo do ano 246 encomendas de aviões mas, depois de 192 “alterações contratuais”, restaram apenas 54 encomendas.

Também as entregas derraparam: foram menos de metade das registadas um ano antes, mostra uma nota enviada esta terça-feira, onde evidencia uma queda de 53% no número de aviões concluídos (380 unidades), e onde recorda o corte na produção perante as dificuldades geradas após a proibição de o 737 MAX voar.

A produtora de aviões tem em atraso mais de 5400 pedidos para aviões de longa e curta distância. Ainda esta terça-feira, a Ryanair, que já teve de rever os planos de crescimento assentes na entrega das aeronaves encomendadas à Boeing, deixou um aviso: ou chegam 10 aviões ou haverá mais cortes em bases aéreas.

Estima-se que a fabricante enfrente prejuízos de cerca de 1000 milhões de dólares por mês devido à paralisação dos Boeing 737 MAX e que tenha acumulado 3000 milhões de euros de cash-flow negativo no terceiro trimestre.

Este domingo, Steven Mnuchin, secretário de Estado norte-americano do Tesouro, reconheceu que a crise na Boeing poderá ter um impacto de 0,5 pontos percentuais no PIB dos EUA. Isto é, a economia norte-americana poderá ter crescido 2,5% e não 3% por causa da prestação desta gigante da aeronáutica. “Não há dúvida de que a situação na Boeing vai abrandar o PIB. A Boeing é uma das maiores exportadoras”, disse Mnuchin, dia 12 de janeiro à Fox News.

O impacto financeiro desta crise só será verdadeiramente conhecido a 29 de janeiro quando a fabricante revelar os seus resultados financeiros.

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