Tecnologia

Bonnie Cheung: “Lidamos com a blockchain como uma criança numa loja de doces”

Bonnie Cheung, sócia e responsável de investimento em blockchain da 500 Startups. (DR)
Bonnie Cheung, sócia e responsável de investimento em blockchain da 500 Startups. (DR)

Especialista de tecnologia blockchain da aceleradora 500 Startups explicou ao Dinheiro Vivo quais são as potencialidades desta solução.

A criação de bases de dados descentralizadas para as mais variadas indústrias é apontada como uma das maiores vantagens da tecnologia blockchain. Se o impacto desta solução começou a ser sentido, por exemplo, na criação das moedas digitais, os benefícios também começam a chegar às áreas da mobilidade, energia, saúde, finanças e até na administração pública.

Só que estas transformações são tão grandes que ainda é difícil entender quais é que são os benefícios para a sociedade. O Dinheiro Vivo conversou com Bonnie Cheung, uma das sócias da aceleradora 500 Startups e líder de investimentos na tecnologia blockchain.

Na sua opinião, quais são os sectores mais atrativos para a tecnologia blockchain?

Venho da área da saúde e espero que existam muitas mudanças nesta área, especialmente na forma como gerimos os dados e identificamos as pessoas. Estamos num momento revolucionário para a tecnologia blockchain. Quero perceber nos próximos 12 meses como é que a infraestrutura se adapta a isto, porque vemos muitos anúncios mas há poucos projetos que estão realmente já a funcionar. Também temos de ter muita atenção à forma como gerimos os dados, sobretudo no sector público. As empresas privadas também vão levar tempo a compreender como podem usar a tecnologia da melhor forma e a ganhar a confiança das pessoas. Antes de as empresas juntarem-se ao comboio da blockchain, é crucial perceberem que problema podem ou querem resolver.

É o mesmo princípio de começar uma startup.

Exatamente. No princípio, todos gostamos de coisas novas e andamos todos entusiasmados. É como se fôssemos crianças a entrar numa loja de doces. Mas no final do dia é preciso perceber quais as razões para isso e se isso se justifica.

A infraestrutura é um dos principais desafios para a blockchain. Isso depende mais dos países ou das pessoas que estão a desenvolver essas soluções?

Todos os países têm boas equipas. É preciso perceber que requisitos são necessários para desenvolver estas soluções. Temos de começar com produtos viáveis já, mesmo que sejam pequenos. E a partir daí podemos fazer crescer essa solução, com os países e os clientes muito bem definidos. Se conseguirem responder a isso, estão no bom caminho.

Leia mais: Blockchain movimenta 315 milhões de euros em dois anos na União Europeia

O que achou de Portugal, tendo em conta os desenvolvimentos na área do 4G e 5G?

Foi a primeira vez que estive cá e aprendi imenso sobre a infraestrutura que existe no país. Adorei a maneira apaixonada como as pessoas trabalham, em comparação com outros mercados. Estiveram sempre disponíveis e curiosos. Fizeram imensas pessoas e tiveram muita vontade em comunicar comigo.

Trabalha na 500 Startups. Têm algum programa próprio para tecnologia blockchain?

Investir em blockchain tem sido um problema para todas as sociedades de capital de risco, por causa da infraestrutura. Mas agora temos um fundo nosso que investe em tokens (chave eletrónica). É um grande passo para nós. Também costumamos apostar muito na área da inteligência artificial, mas sem dedicar uma percentagem fixa.

É uma mulher na área da tecnologia. Ainda é um mundo de homens?

A percentagem de mulheres na tecnologia ainda é bastante baixa. Mas a mudança vem da educação, das universidades. A mudança está a chegar, sem dúvida. Está a chegar a hora de as mulheres apresentarem as suas ideias ao mundo.

Há igualdade de oportunidades entre homens e mulheres?

Nunca pensei que há desigualdade por género. Sempre pensei que tem a ver com a ideia que é apresentada. As mulheres vêm muito bem preparadas para o pitch porque fazem muito bem o seu trabalho de casa. Isto também acontece em Silicon Valley porque as pessoas começaram a partilhar este problema.

Podemos esperar investimentos da 500 Startups em Portugal?

Sem dúvida. Temos uma pessoa no vosso país e estamos disponíveis para apostar nas vossas startups.

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