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Bosch: “Motor a gasóleo é necessário para cumprir regras”

Rolf Bulander, administrador da Bosch
Rolf Bulander, administrador da Bosch

Fornecedora alemã aposta em dupla abordagem nos próximos 10 anos para cumprir legislação da Comissão Europeia

Os motores a gasóleo mantêm-se debaixo do foco das autoridades europeias depois da fraude das emissões de 11 milhões de automóveis do grupo Volkswagen.

A Bosch, como fornecedora de componentes, foi envolvida neste assunto e teve mesmo de reforçar provisões por causa dos processos judiciais interpostos depois deste caso. A empresa alemã, ainda assim, considera que só estes motores, no curto prazo, podem cumprir as regras das emissões da Comissão Europeia.

“Temos a legislação de dióxido de carbono (CO2) na Europa, que implica uma média de 95 gramas por quilómetro por marca em 2021. Como vamos chegar a isso? Com motores a combustão nos carros a gasóleo”, responde Rolf Bulander, administrador da Bosch.

E porque é que os motores a gasolina não podem ser uma alternativa? “Se trocássemos, hipoteticamente, os carros a gasóleo por modelos a gasolina, as emissões de CO2 aumentariam 16 gramas por quilómetro na Europa. Isso não é possível”, responde em entrevista à margem da conferência anual da Bosch, realizada em Estugarda.

Leia também: Inovações da empresa alemã vão chegar à fábrica de Braga durante este ano

Este responsável explica também que os motores a gasóleo “não são um problema” graças ao uso do filtro de partículas. A tecnologia que reduz as emissões de gases poluentes, no entender de Bulander, “resolve esta situação e cumpre com os regulamentos da Comissão Europeia”.

Empresa ignorou alertas da Bosch e de um funcionário.

A Bosch, como fornecedora de componentes, foi envolvida no escândalo das emissões da VW e teve mesmo de reforçar provisões por causa dos processos judiciais interpostos depois deste caso. A empresa alemã, ainda assim, considera que só estes motores, no curto prazo, podem cumprir as regras das emissões da Comissão Europeia

A continuação da aposta nos motores a gasóleo compensa, no curto prazo, uma maior aposta nas unidades elétricas, segundo o responsável. “Qual é a alternativa? Se for [já] a eletrificação, é muito mais caro do que um motor a gasóleo. Nós temos uma abordagem dupla: no longo prazo, eletrificação; no curto prazo, temos de melhorar o motor de combustão. Se não fizermos isso, se reduzirmos a quota de mercado do gasóleo e não vamos diminuir as emissões de CO2”.

Sobre os motores elétricos, o administrador considera que nos próximos cinco anos “podemos reduzir em metade o custo da bateria e a autonomia ser duplicada. Isto são premissas para massificar a eletrificação na próxima década”. Processo que resulta melhor “nos carros mais pequenos, com baterias pequenas, os ideais para a condução em cidade. Os carros grandes com baterias grandes, como a Tesla, não são possíveis de comprar para grande parte das pessoas”.

Qual é a alternativa? Se for [já] a eletrificação, é muito mais caro do que um motor a gasóleo”

Rolf Bulander considera que os carros híbridos e elétricos vão ter uma quota de mercado entre os 15% e os 20% até 2025. “Acreditamos que, no longo prazo, vamos ter mobilidade elétrica”. A Bosch, para tornar isto realidade, mantém o investimento anual de mil milhões de euros, afastando quaisquer impactos da fraude das emissões.
*Jornalista em Estugarda a convite da Bosch Portugal

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