BPI: Spreads no crédito vão continuar a cair em 2020

O BPI aponta que a maior pressão para a descida de spreads está no crédito pessoal e no crédito a empresas.

O presidente-executivo do Banco BPI, Pablo Forero, indicou esta segunda-feira que as taxas de juro cobradas aos clientes para a concessão de crédito vão continuar a descer em 2020, devido à forte concorrência entre bancos, que procuram receita num ambiente de baixas taxas de juro.

"Os spreads dos empréstimos não provavelmente continuar a cair. Isto põe pressão na margem financeira. Vamos tentar evitar a queda da margem financeira", afirmou Pablo Forero.

"As quedas são mais no crédito pessoal e no crédito a empresas. É lá que estamos a notar a pressão para reduzir os spreads", disse o CEO do BPI, na conferência de apresentação dos resultados do banco de 2019.

Forero classificou como "prudente e positivo" o anúncio do Banco de Portugal de introduzir novos limites no crédito pessoal, depois os alarmes terem disparado no terceiro trimestre de 2019.

"O que o Banco de Portugal está a fazer é introduzir mais restrições prudenciais à concessão de crédito pessoal. Ácho que é positivo", afirmou.

Destacou que a medida abrange "não só os bancos mas todas as entidades que fazem empréstimos pessoal", o que vê como positivo por serem "regras de jogo mais prudentes mas que afetam todos".

Mas o CEO do BPI antecipa que impacto da medida "seja talvez uma redução do volume de crédito pessoal total ".

 

O Banco de Portugal decidiu travar a concessão de crédito pessoal para proteger os bancos instituindo medidas novas, incluindo a redução de 10 para sete anos do prazo máximo para os novos contratos. As medidas entram em vigor a 1 de abril deste ano e vêm reforçar os limites já introduzidos com uma Recomendação implementada em julho de 2018.

A concessão de crédito ao consumo e à habitação atingiram recordes de 15 e 10 anos, respetivamente, em 2019, com a descida do custo do crédito e as campanhas dos bancos e outras entidades financeiras a atrair as famílias para o endividamento.

O aumento do endividamento das famílias constitui um risco para os bancos e para a economia caso haja uma nova crise ou num cenário de subida acentuada de taxas de juro, que atualmente estão num mínimo de sempre.

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