BPI. Venda de 2% do BFA aprovada com 3,8% de votos contra

Venda de 2% do BFA à Unitel, de Isabel dos Santos, foi esta terça-feira aprovada em assembleia geral

Os acionista do BPI, reunidos em Assembleia Geral, aprovaram esta terça-feira a venda de 2% do Banco de Fomento de Angola à Unitel, de Isabel dos Santos, pondo fim a um processo negocial que se arrasta há dois anos para responder à exigência do Banco Central Europeu de redução da exposição do banco português aos grandes riscos em Angola.

Numa assembleia geral em que estiveram representados 223 acionistas, detentores de 84,15% do capital, a venda dos 2% do banco angolano à Unitel foi decidida com a abstenção de 76% das ações representadas. Questionado se o CaixaBank e a Santoro estariam entre os acionistas que se abstiveram, o presidente do BPI, Artur Santos Silva recusou falar de entidades concretas. "O que interessa e é importante salientar é que, neste processo e chegado a este ponto final, só 3,8% do capital social é que não estava de acordo com esta solução", frisou.

Mas Santos Silva sempre foi adiantando que o facto de tanto a Santoro como o CaixaBank não terem oarticipado nem na discussão nem na decisão de venda dos 2% do BFA à Unitel terá sido, provavelmente, a razão que levou a que, "pelo menos um deles, não tivesse querido participar na decisão dos acionistas".

A satisfação da administração do BPI com "uma deliberação necessária para resolver os problemas complexos" com que o banco se vinha confrontando desde que, em dezembro de 2014, o BCE exigiu o fim da exposição excessiva aos riscos de Angola contrasta com o desalento dos pequenos acionistas.

No final da assembleia, Tiago Violas Ferreira da Holding Violas Ferreira, o maior acionista nacional com 2,681% do capital, sublinhou que a venda dos 2% do BFA à Unitel "é um negócio ruinoso", na medida em que o BPI "está a vender o controlo do seu maior ativo por 28 milhões de euros, quando ele vale 600 milhões". Tiago Violas não indicou, no entanto, se a HVF irá recorrer desta decisão para os tribunais. "Ainda temos de o avaliar, não sabemos como vamos agir".

Questionado sobre esta crítica ao valor do negócio, Santos Silva recusou comentar. "Esta é uma transação do interesse do banco tendo em conta todo o contexto em que foi realizada e em função das questões que estão em causa", salientou o chairman do BPI, acrescentando que "fica resolvido" o problema da desconsolidação do Banco de Fomento de Angola e do excesso exposição do BPI aos grandes riscos.

Já Fernando Ulrich, CEO do banco, diz que o BPI entra, agora, "em modo de execução", na medida em que "não há matérias para negociar". Se é uma nova fase, não comenta. "O banco nunca deixou de manter a sua operação normal. Não há nenhuma alteração desse ponto de vista. Vamos continuar em frente, obviamente libertos da complexidade que nestes dois anos foi a resolução de todas estas questões. Podemos, agora, estar ainda mais focados nos clientes", frisou.

Sobre a OPA do CaixaBank, Ulrich considerou, apenas, que "a decisão hoje tomada pela assembleia geral, por uma maioria muito significativa, mostra qual é a vontade esmagadora dos acionistas do BPI. Todas as autorizações de que o CaixaBank necessitava estão preenchidas, agora é uma questão de execução. Não tenho informação, conhecimento nem autoridade para estar a dizer qual é o calendário".

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