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Brexit. Os operadores estão preparados para entregar a suas encomendas?

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Operadores mostram-se tranquilos com o impacto do Brexit, mas têm vindo a reforçar equipar e a criar soluções para facilitar desalfandegamento

Bruxelas e Londres acabam de anunciar um novo acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia. Os detalhes do acordo ainda não são conhecidos, nem há garantias de que o Parlamento britânico aprove o documentado agora fechado pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e por Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, mas os operadores de transportes de encomendas já se estão a preparar para a saída do país.

O Reino Unido é o terceiro mercado onde os portugueses mais compram online e que, com a saída, deverá ser alvo de taxas aduaneiras.

“Os CTT, em parceria com a Direção Geral de Alfândegas, dão atualmente resposta à maioria do tráfego de objetos postais que entram em Portugal e que estão sujeitos a controlo alfandegário, com origem no espaço extra comunitário. Com a saída do Reino Unido da União Europeia, tal significaria que todos os objetos desta origem, passariam a ser tratados como os restantes objetos postais dos países extracomunitários, estando sujeitos ao pagamento de taxas alfandegárias. Os CTT já avaliaram os impactos operacionais desta decisão e estão capacitados para dar resposta a este aumento de tráfego postal extracomunitário”, diz fonte oficial dos Correios.

Desde maio do ano passado, que para facilitar o processo de desalfandegamento, o operador postal tem no seu site, uma funcionalidade digital – processo aduaneiro – em regime de self-service, que os clientes podem utilizar para desalfandegar os seus objetos.

O DPDgroup (ex-Chronopost/SEUR) criou uma solução online de faturação específica para retalhistas online que enviem mercadoria de e para o Reino Unido. “Estamos atentos a todos os desenvolvimentos do processo de saída do Reino Unido da União Europeia, uma vez que isto se pode traduzir, entre outras coisas, em custos adicionais para o comprador online. Apesar disso, estamos confiantes que os estudos e investimentos que temos efetuado nos oferecem uma maior segurança quanto à suavidade no futuro dos processos alfandegários a partir da data da saída, seja qual for o cenário”, disse Olivier Establet, presidente da DPD em Portugal, em nota de imprensa.

A solução criada pelo grupo de correio expresso francês permite o pagamento online destas taxas adicionais por parte do comprador no momento do pagamento da sua encomenda no website. “Uma vez que as taxas alfandegárias são pagas antecipadamente, nenhum custo administrativo será aplicado. Assim, encomendas enviadas com esta solução vão imediatamente entrar na rede da DPD e chegar ao país de destino, evitando tempo de retenção nas alfândegas”, promete o grupo em nota de imprensa.

  1. A DHL também se mostra tranquila com um cenário de saída. “Perante o grau de incerteza relativo à saída do Reino Unido se vir a efetivar a 31/10/2019, a DHL Express está a reforçar a estrutura e a munir-se de várias ferramentas que possam garantir que esta transição seja feita sem interrupções e sem pôr em risco o normal fluxo de mercadorias entre o Reino Unido e os estados da União”, adiantou José Reis, diretor-geral da DHL Express Portugal.
  2. “Sensibilizamos para a necessidade das empresas serem detentoras de EORI (Sistema de identificação e registo dos operadores económicos) válido e damos a possibilidade de usarem o serviço Paperless Trading (PLT) da DHL Express para que os processos de desalfandegamento possam ser promovidos de forma mais célere possível, face aos eventuais constrangimentos que possam advir deste processo”, refere ainda o responsável da empresa de transportes de origem alemã.

Um aumento de custos por via da das taxas aduaneiras poderá ter impacto nas decisões de compras dos e-shoppers nacionais nos sites com origem no Reino Unido: 73% dos compradores online nacionais, admitiu deixar de o fazer, num estudo levado a cabo pela GfK, em parceria com a DPDgroup. Um valor acima da média europeia, na ordem dos 70%.

Na Rangel Logistics Solutions o Reino Unido pesa pouco mais de um décimo no seu negócio de transporte terrestre internacional. ” Em termos da nossa unidade de negócio de transporte terrestre internacional, o Reino Unido tem um peso total de 11% de janeiro a agosto de 2019, representando as exportações 14% e as importações 7%”, adiantou Nuno Rangel, CEO da empresa, ao Dinheiro Vivo.

“Estamos neste momento a reforçar as nossas equipas e a formá-las para todas as tipologias de cenários, formalidades e exigências que poderemos defrontar”, reforça Nuno Rangel. “Temos vindo a contar com o apoio da nossa rede de parceiros logísticos de referência no mercado do Reino Unido. Num cenário de não acordo, a nossa rede de agentes será muito importante para facilitar os processos de importação e exportação no Reino Unido”.

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