Autoestradas

Brisa ultrapassada por concessionárias francesas e italianas

Brisa pode emitir obrigações

A Moody's vê o negócio das portagens a desacelerar na península ibérica.

A Brisa foi nos últimos anos a concessionária de autoestradas europeia com volumes de tráfego em maior crescimento, mas está a ser ultrapassada num momento de desaceleração das economias da península ibérica, segundo a Moody’s.

Num relatório divulgado esta terça-feira, a agência vê as operações de infraestruturas do sul da Europa em convergência, com o negócio das vias concessionadas a acelerar sobretudo em França e Itália, e abrandar em Portugal e Espanha. Apesar disso, a Brisa mantém perspetivas estáveis e a quarta posição da Europa meridional.

Em nota sobre o sector, a Moody’s aponta que na primeira metade do ano a Brisa registou um crescimento de tráfego de 4,1% nas autoestradas portuguesas. É ainda um desempenho forte, diz a agência que no início do mês subiu a notação da Brisa em linha com o rating soberano português.

Mas, a concessionária deixou de ter o crescimento mais rápido. Essa posição pertence agora à SIAS, uma das gestoras de autoestradas de Itália, que conheceu um aumento de tráfego de 7,1% até junho. Também duas concessionárias francesas, Alis e APRR, cresceram mais – 4,5% e 4,6%, respetivamente.

“O crescimento de tráfego muito saudável dos operadores de portagens ibéricos desde 2014 reflete uma recuperação das economias portuguesa e espanhola desde a quebra desencadeada por medidas de austeridade durante a crise das dívidas soberanas da zona euro”, escreve a agência.

O tráfego da Brisa cresceu 6,8% no ano passado, com aumentos de 7% também nos anos de 2016 e 2015. Em receitas, a concessionária das autoestradas portuguesas registou em 2017 uma subida de 8,1%, a maior da última década. Os lucros da operadora dispararam no último ano 48,4%.

Mas, os fatores de crescimento estão agora a mitigados. “As economias ibéricas continuam a crescer mais rapidamente que o conjunto da zona euro, mas começaram a desacelerar”, por um lado. Por outro, já não há uma base de comparação baixa a promover percentagens altas de expansão, e a Moody’s admite agora que os turistas da Europa do Norte comecem a a escolher retornar a destinos no norte de África e do leste europeu em vez de conduzirem até Portugal e Espanha.

Além disso, a agência prevê que a desaceleração industrial fará recuar o tráfego de veículos pesados – algo com maior impacto nos restantes países do sul da Europa, já que estes veículos representam menos de 6% do tráfego das autoestradas portuguesas. E antecipa maior pressão para aumento dos custos com manutenção devido ao incidente da ponte Morandi, que colapsou em Génova, Itália, no passado mês de agosto.

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