Agricultura

Bruxelas aprova compra da Monsanto pela Bayer mas impõe condições

Fotografia: EPA/FRIEDEMANN VOGEL
Fotografia: EPA/FRIEDEMANN VOGEL

Áreas de sementes, pesticidas e agricultura digital estão incluídas nos "remédios" impostos por Bruxelas a este negócio

A Bayer vai poder comprar a Monsanto. A operação foi aprovada esta quarta-feira pela Comissão Europeia, depois de uma investigação aprofundada e que levou à imposição de várias condições. As áreas de sementes, pesticidas e agricultura digital estão incluídas nos “remédios” impostos por Bruxelas a este negócio.

“Aprovámos os planos da Bayer para controlar a Monsanto porque os remédios propostos, avaliados em mais de seis mil milhões de euros, vão ao encontro das nossas preocupações ao nível da concorrência. A nossa decisão garante que haverá concorrência efetiva e inovação, mesmo depois da fusão, nas sementes, pesticidas e agricultura digital”, destacou a comissária da Concorrência, Margrethe Vestager, no comunicado publicado por Bruxelas.

A Comissão Europeia justifica que, sem remédios, a compra da Monsanto pela Bayer “iria marcar uma redução significativa na concorrência de preços e da inovação na Europa e em vários mercados”. Isto poderia levar a Monsanto a ter uma “posição dominante” em vários mercados, onde a Bayer era uma “concorrente importante” da Monsanto.

A empresa de químicos alemã BASF deverá comprar o pacote de “remédios” proposto por Bruxelas. Este pacote inclui, por exemplo, a remoção das “sobreposições existentes” nos mercados das sementes e pesticidas; o desenvolvimento de um produto concorrente ao glifosato da Monsanto; e a atribuição de uma licença para todo o portefólio de agricultura digital e o desenvolvimento de novos produtos nesta área.

O projeto de aquisição da Monsanto pela Bayer, uma operação no valor de 66 mil milhões de dólares (cerca de 56 mil milhões de euros, segundo o câmbio de agosto de 2017), e foi anunciada em setembro de 2016, “levará à criação da mais importante empresa integrada mundial nos setores dos pesticidas e das sementes”, realça a Comissão.

Em cerca de um ano, esta foi a terceira mega fusão no setor agroquímico aprovada, sob condições, pela Comissão Europeia.

No final de março de 2017, Bruxelas autorizou a fusão dos grupos norte-americanos Dow e Dupont, que vai dar origem à DowDuPont, um gigante que vale 130 mil milhões de dólares (110,6 mil milhões de euros) no mercado bolsista.

Dez dias depois, foi a decisão sobre a compra da suíça Syngenta pelo grupo chinês ChemChina por 43 mil milhões de dólares (40 mil milhões de euros, na altura, ou 36,5 mil milhões de euros atualmente), a maior compra de sempre lançada por um grupo da China no estrangeiro.

(Notícia atualizada às 11h35 com mais informação)

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