Automóvel

Bruxelas suspeita de batota nas emissões dos carros

(REUTERS/Willy Kurniawan)
(REUTERS/Willy Kurniawan)

Comissão Europeia encontrou evidências de que as marcas estão a instalar dispositivos para piorar emissões face aos valores originais.

As marcas automóveis andam outra vez a fazer batota com as emissões poluentes dos seus modelos. Só que desta vez estarão a manipular os valores para apresentarem nos testes valores piores do que os registados em condução normal. A denúncia é da Comissão Europeia, que alega ter encontrado evidências desta situação.

Há 114 registos de testes que indicam que algumas marcas “configuraram os seus veículos de teste de forma a inflacionar os valores”, refere um documento do centro de pesquisa da Comissão Europeia a que o Financial Times teve acesso na terça-feira.

Esta inflação nos valores terá sido conseguida graças à desativação do sistema stop-start, que desliga o motor enquanto o carro está parado por períodos prolongados e que reduz as emissões, e também com mudanças na configuração da caixa de velocidades. Desta forma, registou um aumento “significativo” nas emissões de dióxido de carbono, entre 4,5% e 13%.

Bruxelas diz que “há um risco claro” de que as fabricantes automóveis estão a criar um “aumento artificial” nos valores das emissões para 2020, um ano de transição entre normas para reduzir as emissões poluentes.

Em novembro, a Comissão Europeia mandou as marcas reduzirem as emissões poluentes em 15% entre 2020 e 2025 e em 30% até 2030. Se registarem-se valores mais elevados na nova norma de homologação de veículos (WLTP), todas as metas serão menos ambiciosas e mais fáceis de alcançar.

“Não gostamos de truques. Vimos coisas de que não gostámos. Por isso, vamos fazer tudo o que for preciso para que o ponto de partida seja o real”, referiu o comissário europeu do Ambiente e Energia, Miguel Arias Cañete, citado pela mesma publicação.

A Comissão Europeia mandou aos estados-membros um documento com três propostas: a base para estabelecer as futuras metas de emissões será através da medição de valores em testes independentes e não dos apresentados pelas marcas; que o apuramento das emissões será “sistemático” para aumentar a transparência; e que Bruxelas irá monitorizar e apoiar as medidas que forem necessárias.

 

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