Bruxelas veta venda da britânica O2

Telefónica queria vender empresa no Reino Unido para reduzir o endividamento.

A Comissão Europeia chumbou a venda da operadora britânica O2, filial da Telefónica no Reino Unido, ao operador de Hong Kong Hutschison Whampoa.

A operação, avaliada em 13,3 mil milhões de euros, reduziria de quatro para três o número de operadores móveis no mercado britânico, o que penalizaria a concorrência.

Agora, a espanhola Telefónica - que foi acionista da PT e parceira na Vivo, acabando por comprar a participação portuguesa na operadora brasileira - terá de encontrar uma alternativa para reduzir o seu endividamento de 50 mil milhões de dólares.

As opções da Telefónica passam por encontrar outro comprador, retirar a O2 de bolsa, total ou parcialmente, emitir dívida híbrida ou pagar o dividendo em ações, avança o Expansión.

A Comissão Europeia teme que a venda da O2 à Hutchison limite a concorrência e prejudique os consumidores, levando a uma subida dos preços das telecomunicações. O chumbo marca um novo momento no movimento de fusões das telecomunicações na Europa nos últimos anos.

A O2 é o segundo maior operador móvel do Reino Unido, com uma quota de mercado de 29,8%. Já a Hutchison controla, através da marca Three, 14,2% do mercado. A EE é a líder no segmento móvel, com uma quota de 31,8%.

A proposta de venda de ativos e implementação de remédios e concessões para criar condições de entrar de um operador móvel virtual não foi suficiente para convencer a Comissão Europeia.

José María Álvarez-Pallete, presidente da Telefónica, considerou que o referendo do 'brexit' está a "contaminar o ambiente" do Reino Unido. O regulador britânico (Ofcom) e o regulador de mercado (CMA) pediram publicamente a Bruxelas que chumbasse a operação.

A febre das fusões tem afetado o sector na Europa nos últimos anos. Em Portugal a Zon fundiu-se com a Optimus, em 2013, dando origem à NOS.

No Reino Unido, a operadora belga BT comprou a EE no início de 2015. A francesa Vivendi vendeu a SFR à Altice, que o ano passado comprou a PT Portugal. O grupo de Patrick Drahi fundiu a empresa com a Numericable e tentou entretanto comprar a Bouygues.

A receita das operadoras de telecomunicações caiu 11% entre 2009 e 2015, para 248 mil milhões de euros, segundo dados da Associação Europeia dos Operadores de Rede de Telecomunicações.

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