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Buraco das empresas do Estado baixa em 560 milhões de euros

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Boletim informativo do Setor Empresarial do Estado do 3.º trimestre de 2016 revela, no entanto, que o endividamento está 11% acima do orçamentado

O endividamento das empresas públicas atingiu os 31,3 mil milhões de euros no final do terceiro trimestre de 2016, o que representa uma diminuição de 560 milhões de euros (2%) relativamente ao final de 2015.

Os dados do mais recente boletim informativo do Setor Empresarial do Estado (SEE), divulgado pela Unidade Técnica de Acompanhamento e Monitorização do Setor Público Empresarial (UTAM), indicam, no entanto, que o valor do endividamento é “superior ao objetivo expresso nos orçamentos das empresas em cerca de 3,2 mil milhões de euros (11%)”.
Um desvio justificado sobretudo pela IP – Infraestruturas de Portugal, cujo endividamento disparou cerca de três mil milhões de euros em relação ao previsto no período em análise para um total de 8,4 mil milhões.

O setor dos transportes e armazenagem teve o contributo mais importante para a redução global do endividamento, com destaque para a CP (-307,5 milhões) e o Metropolitano de Lisboa (-207,2 milhões). No caso da CP, a UTAM justifica a redução com “a realização de aumentos de capital pelo acionista, que serviram para fazer face ao serviço de dívida a terceiros ou que foram realizados por conversão direta de créditos em capital”. No caso do ML, a evolução registada deveu-se à “política de financiamento adotada pelo acionista, que se traduziu no reforço do capital para fazer face quer ao serviço da dívida à medida que esta se vai vencendo quer aos novos investimentos”.

O boletim contém informação sobre 67 empresas ou entidades com estatuto empresarial público, mas só 27 registam endividamento. A análise do DN/Dinheiro Vivo permite concluir que, a seguir à CP e ao Metropolitano, as empresas que registaram as maiores reduções foram a Parpública (-173,1 milhões), a Estamo (-59,4), a Carris (-51,3) e a Empresa de Desenvolvimento e Infraestuturas do Alqueva (22,2). Além destas há mais sete empresas que conseguiram amortizar a sua dívida. No caso da Parpública, o documento diz que resultou da “amortização, em setembro de 2016, conforme previsto, de um empréstimo obrigacionista de 170 milhões de euros”.

Em sentido contrário, 11 empresas viram o seu endividamento aumentar em relação ao final de 2015. A que registou o maior crescimento foi a Parvalorem (+90,3 milhões), seguida pela Águas de Portugal (+70), a Parque Escolar (+39,9) e a RTP (+15,9). No caso da Parvalorem, o boletim revela que se ficou a dever “essencialmente a encargos com juros e comissões respeitantes aos seus financiamentos junto da CGD e Direção-Geral do Tesouro e Finanças”.

A Parups, a Infraestrutruras de Portugal, o STCP, a Sagesecur – Sociedade de Estudos, Desenvolvimento e Participação em Projetos, a Ambisider – Recuperações Ambientais, a Consest – Sociedade Gestora de Promoção Imobiliária e o Opart – Organismo de Produção Artística foram as outras empresas que pioraram neste indicador económico-financeiro. Além da IP, os maiores desvios face às previsões inscritas nos orçamentos das empresas verificaram-se no setor das gestoras de património (148 milhões). O setor que registou um nível de endividamento inferior ao previsto ocorreu no setor das empresas financeiras (-63 milhões).

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