Calçado encara 2020 com “otimismo moderado” depois de queda nas exportações

Indústria foi das mais penalizadas em 2019, com as exportações a caírem 5,66% para 1791 milhões de euros. Perdeu mais de 100 milhões face ao ano anterior.

A indústria portuguesa do calçado fechou 2019 com uma quebra de 5,66% nas exportações, que se ficaram pelos 1.791 milhões de euros. Num ano apenas, o sector perdeu 107 milhões de euros, em valor absoluto, e caiu para níveis de 2013, altura em que vendia ao exterior 1.735 milhões. A APICCAPS, a associação do calçado, fala num ano “particularmente exigente”, com um comportamento “muito adverso” das principais economias europeias, que constituem os mercados de destino privilegiados das sapatos made in Portugal. Mas fala, também, numa estratégia bem-sucedida de diversificação para mercados extracomunitários e num “otimismo moderado” dos empresários para 2020.

Apesar do recuo das vendas em 2019, o diretor de comunicação da APICCAPS destaca a conquista da última década, em que as exportações registaram um crescimento acumulado de 45,37%, correspondentes a mais 559 milhões de euros. Paulo Gonçalves lembra, ainda, que o sector havia terminado o primeiro semestre com uma quebra da ordem dos 9%, tendo conseguido”recuperar alguma coisa” no segundo semestre. No total da fileira, que fecha a cair 5,4%, destaque para a boa performance global do segmento de artigos de pele, a chamada marroquinaria, que compreende produtos como as carteiras, malas ou cintos, e que cresceu 29% para 197 milhões de euros.

Bem sucedida tem sido a estratégia de diversificação de mercados. Em 2009, os países extracomunitários representavam, apenas, 7% das exportações totais de calçado, valor que subiu para 15% em 2019. Os números do INE mostram que, neste período, as exportações para fora da União Europeia mais do que triplicaram e valem já praticamente 265 milhões de euros. “É este caminho que iniciamos há dez anos que tem que ser aprofundado nos próximos, reforçando a capacidade de penetração do calçado português em mercados como a China ou os Estados Unidos”, diz Paulo Gonçalves. Os Estados Unidos, por exemplo, é um dos países em que as empresas de calçado mais têm apostado nos últimos anos e os frutos estão a surgir. Em 2019, as vendas para terras do Tio Sam cresceram 22,4% para 86 milhões de euros.

Sobre o “otimismo moderado” para 2020, este responsável refere que assenta no Boletim Trimestral de Conjuntura da APICCAPS, que conclui que as previsões para o estado dos negócios são as “mais favoráveis” dos últimos dois anos. “Quase dois terços das empresas (62%) preveem que o estado dos negócios será suficiente e as que acreditam que será bom excedem em 8 pontos percentuais as que receiam que seja mau”, pode ler-se no boletim. É que apesar de as previsões macroeconómicas para os principais mercados de destino do calçado português apontarem para que 2020 seja um “ano débil de crescimento”, as expectativas das empresas para o próximo trimestre apontam para “algum aumento das encomendas do estrangeiro”.

Positivos parecem ser, também, os sinais que chegam do exterior. No inquérito online conduzido pela associação em dezembro para o World Footwear, a publicação anual da APICCAPS que faz a radiografia completa do sector a nível mundial, os entrevistados mostraram-se “otimistas em relação aos negócios do calçado e esperam que as quantidades e os preços aumentem nos próximos seis meses”. O inquérito obteve 183 respostas válidas, de mais de 30 países. Da Europa vieram 48% das respostas, da Ásia 21% e da América do Norte 20%.

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