Calçado investe 4,5 milhões em novas fábricas

A indústria portuguesa do calçado está a exportar mais

Há cinco anos que as exportações de sapatos batem máximos históricos. Foram 1870 milhões de euros em 2014, mais 7,7% do que no ano anterior. E apesar da estagnação dos mercados europeus se ter traduzido já na queda do preço médio de 23,45 para 21 euros, os industriais portugueses do calçado estão a investir forte na expansão. Só quatro empresas - Centenário, Ferreira & Avelar, Macosmi e Carité - têm em mãos investimentos de mais de 4,5 milhões em novas fábricas ou no aumento da capacidade de produção das já existentes.

A Macosmi está a investir 2,5 milhões em São Martinho do Campo e em Castelo de Paiva. “Queremos ser autossuficientes ao nível do corte e da costura e aumentar a capacidade produtiva para atingir os 1500 pares de sapatos por dia. Além da construção de dois novos edifícios de raiz, em São Martinho do Campo, vamos instalar um novo lay out e um novo modelo de gestão. Adquirimos um novo transportador de costura, que já chegou, que contempla 82 postos de produção, o que nos permite admitir mais 30 a 40 pessoas e ficarmos independentes no segmento de corte e costura”, explicou José Machado, sócio-gerente da empresa, ao Dinheiro Vivo.

Em Castelo de Paiva, onde a Macosmi tem uma pequena unidade fabril com 39 trabalhadores, o investimento na construção de um novo pavilhão adjacente, que arrancará já em abril, vai permitir produzir mais 500 pares/dia. Serão aqui admitidas, até ao final do ano, mais 30 pessoas.

A Macosmi dá hoje emprego a 200 trabalhadores. “A conjuntura não é a melhor para investir, mas sem risco não há sucesso e nós temos de ter armazéns, capacidade produtiva e de desenvolvimento para dar resposta às necessidades dos clientes”, diz José Machado, que fechou 2014 com uma faturação de 12 milhões de euros. “Os investimentos abrem portas a novos clientes”, justifica.

A Ferreira & Avelar, de Santa Maria da Feira, está a terminar uma nova fábrica adjacente às duas que já tem e que permitirá “expandir a empresa”. A nova unidade, que ficará concluída em abril e que implicou um investimento de 400 mil euros, receberá as secções de montagem, acabamentos e expedição; o corte e costura ficarão numa outra unidade e a terceira ficará destinada a armazém de matérias-primas.

“Queremos melhorar a qualidade do produto final e dar melhores condições aos funcionários”, diz Rúben Avelar. A empresa, detentora das marcas Ferreira & Avelar e Profession Bottier, inaugura em junho o seu show-room em Paris, para uma “maior proximidade ao retalho”, e em abril fará a sua primeira feira no Japão.

“Trabalhamos com o Japão há 12 anos e nos últimos dois anos sentimos uma procura crescente. É um mercado que vale menos de 3% no volume de vendas, mas que queremos duplicar nos próximos cinco anos”, afirma Rúben Avelar. Quanto à China, a expectativa é de que venha já a pesar 2% no final do ano e 15% em 2020. Com 112 trabalhadores, a Ferreira & Avelar fechou 2014 com faturação de 6,5 milhões.

Meio milhão de euros em equipamentos e 20 novos postos de trabalho é a mais recente aposta do grupo Carité, de Felgueiras, que abriu, em São João da Madeira, uma pequena unidade de calçado de gama sofisticada. A fábrica está agora a arrancar e, se tudo correr bem, Reinaldo Teixeira admite meter mais 20 pessoas até ao final do ano. O grupo, que conta com uma fábrica em Felgueiras e duas em Celorico de Basto, faturou 22 milhões de euros em 2014.

Também a Centenário pretende ampliar as instalações em Oliveira de Azeméis, um investimento de 1,250 milhões que aguarda ainda pela aprovação do projeto para avançar. “Estamos bastante apertados e necessitamos de reestruturar a linha de montagem para termos melhores condições de trabalho e para rentabilizarmos a capacidade produtiva”, diz Domingos José. Só esta expansão permitirá à Centenário, com uma faturação de 8,2 milhões de euros, aumentar a capacidade produtiva em 15%. A urgência explica-se: a empresa, que lançou há uns anos uma linha de sapatos de golfe, está em negociações com um distribuidor de renome mundial no segmento de golfe.

84 empresas portuguesas na maior feira em Milão

Paulo Portas visita hoje a Micam, em Milão, a maior feira de calçado do mundo onde 84 empresas nacionais, responsáveis por 8000 postos de trabalho e 500 milhões de euros de exportações, mostram o que de melhor a indústria – “A mais sexy da Europa” – sabe fazer.

O vice-primeiro-ministro será acompanhado pelos presidentes da AICEP, Miguel Frasquilho, do Compete 2020, Rui Vinhas da Silva, e do IAPMEI, Miguel de Campos Cruz.

A Micam, que se prolonga até quarta-feira, é um dos 70 certames internacionais em que a indústria de calçado vai marcar presença ao longo do ano, num programa de promoção internacional da fileira do calçado, em que estão envolvidas 150 empresas.

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