Calçado. Mais de um terço das empresas com produção suspensa

A falta de encomendas é a principal razão, mas, também, a falta de matérias-primas. A incapacidade de entregar o que já foi produzido é uma preocupação

A associação do calçado está a monitorizar a evolução da situação no sector, através da realização de inquéritos semanais às empresas. O primeiro, que decorreu esta semana, permitiu concluir que há já 14% de fábricas com a produção suspensa, percentagem que irá aumentar, na próxima semana, para os 34%. A diminuição da carteira de encomendas, o abastecimento de matérias-primas importadas e as dificuldades na entrega de mercadorias são as três razões principais apontadas.

Ao questionário responderam 88 empresas, responsáveis por seis mil postos de trabalho e por um volume de negócios da ordem dos 400 milhões de euros e as conclusões não surpreendem a APICCAPS, já que, "vêm na linha do que está a acontecer por essa Europa fora". É que se Portugal é um fornecedor importante de países como a Espanha, Itália e França, é, também, dependente das matérias-primas que de lá importa, em especial de Itália. País que decretou, agora, o encerramento completo das suas unidades fabris, pelo menos por duas semanas. Curiosamente, 17% das empresas inquiridas não equacionam fechar "em momento algum", explica o diretor de comunicação da APICCAPS.

As que fecharam, fizeram-no temporariamente e com recurso a modalidades diferenciadas. "Há quem esteja a dar férias, há quem esteja a recorrer ao regime de adaptabilidade e há quem esteja à espera de informações mais detalhadas sobre o lay-off para avançar. Não tivemos nenhuma empresa a dizer que vai encerrar a atividade", garante Paulo Gonçalves. A redução das encomendas internacionais, maioritariamente por cancelamentos, é a principal razão, apontada por 75% dos inquiridos. A dificuldade no abastecimento de matérias-primas preocupa 53% dos empresários e a impossibilidade de entregar encomendas é apontada em 39% das respostas.

Mais de metade do sector tem trabalho, apenas, para, no máximo, duas semanas. Ou melhor, 31% das empresas só tem trabalho para uma semana e 33% para duas. Mas nem tudo são más notícias. Há quem, ainda, tenha trabalho pela frente: 20% dos inquiridos indicam terem encomendas para um período superior a dois meses.

Um quadro global de dificuldades que não é exclusivo nacional. Em declarações ao World Footwear, o presidente da associação italiana do calçado, a Assocalzaturifici, admitiu que o coronavírus vem acentuar um ano que "já se antevia muito difícil para o sector". Tommaso Cancellara espera que "as instituições internacionais possam implementar medidas económicas adequadas para enfrentar a crise".

Já a federação espanhola, a FICE, admite que "a maior dificuldade atual é de tesouraria". "Se a situação continuar até meados de maio, teremos muitos encerramentos de empresas a lamentar", diz o presidente da instituição, José Monzonìs.

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