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Caldeira Cabral: “Temos 120 milhões para requalificar o turismo”

Manuel Caldeira, Cabral, ministro da Economia
Manuel Caldeira, Cabral, ministro da Economia

No dia em que se celebra o Dia Mundial do Turismo, o ministro da Economia, anunciou, em entrevista ao Dinheiro Vivo, dois investimentos no turismo.

Como é que vê o turismo em Portugal?

O turismo está não só a crescer, mas a crescer bem. Está a crescer bem porque está a crescer mais em receita do que em número, está a crescer espalhado por todo o território e está a crescer o dobro da intensidade na época baixa. Cada um destes fatores é importante. O turismo está não só a crescer em números – e continua a crescer em número de turistas -, mas está a crescer mais em qualidade, com turistas que gastam mais. Isso deve-se à estratégia de valorização da oferta turística em Portugal, de diversificação de rotas em que apostamos – rotas para mercados como o dos EUA, que faz uma despesa por turista média muito superior à dos turistas europeus em média. Portanto, criamos mais valor no turismo. A valorização do turismo e da oferta turística é também o que vai criar maior valorização de todos os que trabalham neste setor.

O ano passado foi de recordes para o turismo. Este ano vamos bater estes números?

O que continuamos a ter em 2018 é um crescimento a uma taxa muito boa, principalmente se olharmos para as receitas, que estão a ter um dos melhores anos de crescimento. Mas não vai ser um crescimento tão forte como 2017. No conjunto dos três anos – 2016/2017/2018 – teremos um crescimento que deverá aumentar em 50% as receitas, o que é um recorde de crescimento, mas que nos põe também num patamar de números de turistas muito interessante.

Quando é que vê um abrandamento deste ritmo de crescimento?

Não temos essa perspetiva. O turismo está sujeito às flutuações da economia mundial. O que temos conseguido, em termos de crescimento das receitas e mesmo no número de turistas, é crescer mais do dobro do que o sul da Europa.

Há uma quebra no número de dormidas nos sete primeiros meses. Essa quebra é bastante notória no mercado britânico. Está preocupado?

Em primeiro lugar, um crescimento de 13% das receitas, seguindo-se a um ano em que houve um aumento de 19% das receitas, é muito bom. O mercado britânico é um mercado importante e estamos atentos. Fizemos campanhas especiais. Tenho trabalhado com as entidades consulares para reforçar a boa relação com Inglaterra no pós-brexit. Mas também temos trabalhado na diversificação de mercados. Por isso, mesmo estando a haver alguma quebra do número de turistas ingleses, estamos a ter um crescimento tão forte do turismo.

Há várias vozes preocupadas com a capacidade do aeroporto. Está preocupado com o efeito que a lotação da capacidade do aeroporto possa ter no turismo?

Quando entrámos para o Governo olhámos seriamente para o turismo e as preocupações que se levantavam ao seu crescimento. Olhámos para os constrangimentos que podem vir a afetar esse crescimento. Para a formação profissional, que é muito importante, e para outros aspetos, como o investimento, lançando novas linhas de apoio. Um outro constrangimento é o aeroporto. Esse é um problema que o Governo está a resolver, mas que todos sabiam que nunca poderia resolver num ano ou dois. Conseguimos avançar, mas o processo [a construção do aeroporto] vai demorar algum tempo, o que mostra que quando se adiam decisões importantes isso depois pode ter custos. Em Portugal falamos muitas vezes sobre quanto é que custa fazer certas políticas, quanto é que custa fazer um aeroporto, e não discutimos quanto é que poderia custar adiar a construção do aeroporto. O Governo está a acelerar esse processo e vai dar uma resposta com o segundo aeroporto. Está também, num curto prazo, a dar uma resposta usando meios tecnológicos para que, com a infraestrutura que temos, aumentar o número de voos. Quando chegamos, dissemos que, se queríamos que o turismo continuasse a crescer, teríamos de reforçar a capacidade de financiamento para que houvesse mais investimento. Temos uma série de projetos que fizemos de melhoramento das condições turísticas com o programa Valorizar. E temos agora linhas que vamos abrir.

Quais?

Dou-lhe o exemplo da linha de qualificação da oferta, que vamos abrir agora com 120 milhões de euros e que vai estar disponível em 11 bancos e com novas condições. Podem permitir mais de 200 milhões de investimento para que a oferta continue a crescer. Esta linha permite não só a construção de novos hotéis, permite financiar também obras de melhoramento de requalificação de hotéis já existentes. Têm três novidades: a primeira é de 120 milhões quando as linhas que lançámos no passado foram de 65 e de 75 milhões. A segunda é que, tendo em conta a estratégia que definimos, definimos um montante de 30 milhões [no âmbito destes 120 milhões] para alocar ao Algarve – pela importância que a requalificação da oferta. Há ainda um enfoque especial para o Interior do país. Para o Interior tem esta condição adicional que é 20% do valor do empréstimo ficar a fundo perdido. Além disso, vamos lançar o Fundo de Investimento Imobiliário do Turismo para o Interior. Este fundo aplica-se apenas ao Interior e é um instrumento de capitalização. Isto ajuda as empresas a financiarem-se no interior do país. Estamos a lançar agora mas fizemos uma série de consultas junto de operadores e levantou muito interesse a novos investidores. Temos 25 milhões neste fundo mas o interesse já registado poderá levar a que tenhamos de o reforçar. A partir de amanhã [hoje], este fundo vai estar disponível para investimentos no Interior. Queremos que estas empresas possam crescer e possam crescer com o apoio das linhas de crédito, mas sem verem agravados os seus rácios de endividamento.

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