Call centers. Precários a ganhar em média 730 euros

Sector emprega 40 mil pessoas
Sector emprega 40 mil pessoas

Sílvio Silva veio de Braga para Lisboa estudar marketing. Tinha de pagar contas e durante três anos trabalhou num call center. Nos primeiros seis meses como operador, depois como team leader e supervisor. "Conheci centenas de pessoas, 80% delas com licenciatura e sem hipótese de entrar na área", conta Sílvio, de 25 anos, agora a trabalhar em marketing, em Budapeste.

Com uma média de remuneração bruta mensal de 730 euros, 51% do pessoal tem o Secundário. Mas em 2014, a percentagem de colaboradores com formação superior subiu quatro pontos percentuais, para 48%. “O nível e exigência é grande e temos um dos níveis mais elevados da Europa de desemprego”, justifica Carla Marques, diretora-geral da Randstad Contact Centers.

Pedro Empis, diretor de vendas e operações na Randstad Portugal, adianta que as condições são idênticas em todos os contact center: durante a formação de seis semanas os trabalhadores recebem apenas 2euro/hora e, depois disso, “os valores ascendem a 630euro com possibilidade de um prémio adicional até 100euro”. Há muito que ao setor está colada uma imagem de salários baixos, contratos temporários e de curta duração, elevada rotatividade de pessoas e muita pressão para obter resultados. “Sofremos imenso com esta visão. É extremamente penalizadora”, admite João Cardoso, CEO da Teleperformance. Os salários variam com a sofisticação do serviço ou o número de línguas que o trabalhador domina.

A pressão existe, admite Cláudia Oliveira. Hoje nos EUA, através do programa Inov, durante oito meses trabalhou num call center para uma agência de viagens. “Era essencialmente assistência ao cliente, pelo que a pressão era a nível de atender todas as chamadas para não haver clientes a queixar-se e na duração de espera por assistência”, lembra. Em média, um operador gere oito chamadas por hora.

A ideia de que nos call centers só trabalham jovens é um de “muitos equívocos” que o Sindicato de Trabalhadores de Call Centers quer desmistificar, diz Manuel Afonso, presidente da Mesa da Assembleia. A outra é que esta é uma atividade para quem está a iniciar carreira.

“Há uma maior flexibilização do trabalho, mas isso é transversal a todos os setores, não é específico dos call centers”, defende João Cardoso, da Teleperformance. “As pessoas que entram na profissão têm futuro: 100% das promoções são internas. Investimos nas pessoas, na formação”, diz Ahmed Aboullez, “country leader” da Concentrix.

Mas a profissão “operador de call center” não é reconhecida. “Queremos que seja reconhecida como profissão e de desgaste rápido, o que nos permitiria negociar contratos coletivos de trabalho, com regras sobre promoções de carreira e salariais”, diz Manuel Afonso. v

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