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Canábis medicinal chega a Portugal. Indústria pode servir 10 milhões de europeus

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A empresa canadiana Tilray está investir cerca de 20 milhões de euros numa nova unidade de produção de produtos farmacêuticos à base da planta em Cantanhede. A plantação começou a ser cultivada há duas semanas, dando início ao processo. Ao Dinheiro Vivo, o CEO da empresa, Brendan Kennedy, adiantou que esta indústria poderá “beneficiar 10 milhões de europeus” nos próximos dez anos.

O “clima ideal” e os “trabalhadores altamente qualificados” levaram a Tilray a escolher Portugal como destino para expandir o negócio da canábis medicinal, que no caso da empresa se cingia ao Canadá, onde está sediada.

Em Cantanhede, vai nascer uma nova unidade de produção de produtos medicinais à base da planta. Ali vão ser investidos cerca de 20 milhões de euros, destinados à construção de campos de cultivo, unidades fabris e laboratórios, que vão dar trabalho a cerca de 100 pessoas.

Quando estiver em plena operação, a empresa espera ter uma plantação com cerca de cem mil plantas para exportar para países que queiram usá-las em produtos com fins medicinais. Para já, ainda não têm mais de dez centímetros de altura, devendo crescer entre um a dois metros.

Através de Portugal, a Tilray vê uma oportunidade de responder “ao aumento da procura” e explorar o mercado europeu, afirmando que, num espaço de dez anos, “a canábis medicinal pode beneficiar 10 milhões de europeus” e que “esta indústria poderá valer entre 30 a 40 mil milhões de euros”, estimou Brendan Kennedy, numa entrevista à margem da Web Summit.

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Brendan Kennedy, CEO da Tilray

“Está tudo a evoluir de uma forma muito rápida”, afirmou o CEO da Tilray, dando como exemplo o mercado alemão. “Temos visto países como a Alemanha, que no espaço de um ano passou de não falar sequer na canábis medicinal para a legalização e implementação de um sistema regulatório completo e funcional”. “Países atrás de países começam a desconstruir o estigma”, acrescentou.

Com o acesso mais facilitado ao mercado na Europa, a empresa, que até agora exportava os seus produtos do Canadá para sete países, prevendo chegar a 12 até ao final deste ano, aumentando assim a base de pacientes que utilizam produtos à base de canábis medicinal – que é neste momento de 25 a 30 mil, a partir do Canadá.

Brendan Kennedy explicou também que os produtos da Tilray têm sido vitais para ajudar dezenas de milhares de pacientes com diferentes doenças ou sintomas. Os doentes com “dores crónicas” são o segmento de mercado que agora mais utiliza os produtos, que também ajudam no tratamento de doenças como “a epilepsia pediátrica, glaucomas, stress pós-traumático, doença pulmonar obstrutiva crónica ou até náuseas provocadas pela quimioterapia”.

No início do ano, foi noticiado que o Bloco de Esquerda pretendia avançar, ainda em 2017, com iniciativas para legalizar a canábis para fins terapêuticos, bem como para uso recreativo, mas até agora não entrou qualquer proposta de lei no Parlamento nesse sentido. Fonte oficial do Bloco de Esquerda adiantou à agência Lusa que o partido está a preparar o documento.

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