Coronavírus

Cancelamento da MWC gera prejuízo de milhões em Barcelona

O presidente do governo catalão, Quim Torra, a chegar à sede da GSMA, entidade organizadora da World Mobile Congress, em Barcelona, Espanha, a 13 de fevereiro 2020. Foto: EPA/ENRIC FONTCUBERTA
O presidente do governo catalão, Quim Torra, a chegar à sede da GSMA, entidade organizadora da World Mobile Congress, em Barcelona, Espanha, a 13 de fevereiro 2020. Foto: EPA/ENRIC FONTCUBERTA

Organização, em conferência de imprensa, admitiu que ponderou realizar o evento num formato mais pequeno ou adiar. Soluções que não eram viáveis.

A organização da Mobile World Congress (MWC) anunciou esta quarta-feira o cancelamento do evento tecnológico, previsto para o final do mês em Barcelona. A GSMA justificou a sua decisão com “a preocupação global com o surto de coronavírus, a preocupação com viagens e outras circunstâncias tornam impossível a realização do evento”. Mais de três dezenas de empresas tinham já cancelado a sua ida ao evento devido a receios de possíveis contágios do coronavírus. Contudo, sendo a própria organização a cancelar o evento, Barcelona fica a braços com perdas financeiras elevadas.

O impacto económico da MWC, indica a imprensa espanhola, ronda os 500 milhões de euros, sendo que o evento é responsável pela criação de mais de 14 mil empregos temporários. Entre 24 e 27 de fevereiro – data em que o evento decorreria – deveriam passar pela capital catalã cerca de 100 mil pessoas, oriundas de cerca de 200 países.

As questões financeiras mais imediatas estão relacionadas com os custos deste cancelamento e sobre quem os vai suportar. Fontes do setor indicaram ao jornal espanhol Cinco Días que “continua por determinar quem vai assumir os custos e se estes estão cobertos pelas seguradoras”. Será “complicado” para a organização ativar as apólices de seguros por motivos de ameaça à saúde, como o coronavírus, a menos que as autoridades emitam uma declaração de alerta de saúde, algo que ainda não aconteceu, sublinharam fontes jurídicas ao jornal.

A maioria das empresas não revela quanto é que investe para participar nesta feira tecnológica mas, para se ter uma ideia, para uma companhia média um espaço de stand de 45 metros no pavilhão 8 (não é dos principais), escreve o jornal, custa cerca de 54 mil euros.

Mas o impacto económico vai mais além. A economia local vai sentir os efeitos. Só a hotelaria tinha 28 mil quartos reservados a um preço acordado com a agência oficial da Mobile. E de acordo com cálculos do presidente da associação empresarial Gremio de Hoteles de Barcelona, Jordi Mestre, citados pelo jornal, cerca de 20% dos quase 500 milhões de euros em receita esperados gerados pelo evento, 20% seriam para a hotelaria, até porque o congresso gera mais receita para o setor do que os meses de verão, época em que a Catalunha conta com um elevado número de turistas. Tom pessimista apresentou também a associação de Apartamentos Turísticos que fala de um golpe “muito duro” para o setor.

A restauração também está preocupada – até porque tal como os hotéis há muitas reservas que são feitas de um ano para o outro – assim como os transportes. Taxistas e empresas de transporte TVDE contavam com as receitas extraordinárias que um evento com esta dimensão geraria, nota o mesmo jornal.

Cancelamento por “razões de força maior”
John Hoffman, um dos líderes da GSMA – entidade organizadora do evento -, em conferência de imprensa, indicou que ponderaram a realização de um evento mais pequeno, “mas os nossos compradores indicaram que não viriam; também se pensou em adiá-lo” mas é impossível prever quando é que a situação vai estar mais calma. O responsável disse ainda, citado pelo El País, que o surto mundial de coronavírus tornava “impossível” realizar o evento até porque “a preocupação mundial em torno do surto, viagens e outras circunstâncias tornam impossível à organização celebrar o evento”.

“Tornou-se impossível realizar este evento por motivos de força maior. As prioridades foram: saúde e segurança”, garantiu por sua vez Mats Granryd, diretor geral da associação GSM, que agora que a feira foi cancelada está a trabalhar para tentar minimizar os custos para a organização. O responsável salientou ainda que a cidade estava preparada para responder a um desafio sanitário como o coronavírus, sendo que havia “muitas declarações do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças e outras instituições” que suportaria o argumento da GSMA.

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