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Cancelamento do Terminal do Barreiro deixa 5000 empregos em doca seca

Pedro Nuno Santos
O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Projeto de 500 milhões de euros recebeu parecer desfavorável da Agência Portuguesa do Ambiente. Governo recusa-se, para já, a falar em alternativas.

O cancelamento do terminal de contentores do Barreiro deixa por criar 5000 empregos previstos na construção daquela infraestrutura, que iria implicar um investimento de cerca de 500 milhões de euros. O projeto foi cancelado pelo Ministério das Infraestruturas e da Habitação depois do parecer desfavorável da APA – Agência Portuguesa do Ambiente.

“Entende-se estar-se perante uma oportunidade de crescimento económico e de criação de emprego (na ordem dos 3000 a 5000 postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos) que o Barreiro, e a região de Lisboa, não podem ignorar”, refere a câmara municipal do Barreiro no parecer enviado à APA e que está exposto no EIA – Estudo de Impacto Ambiental.

A construção do terminal do Barreiro, a cargo da Administração do Porto de Lisboa, também evitaria o esgotamento da capacidade de armazenamento de contentores no porto da capital daqui a poucos anos. Até 2030, espera-se um aumento de 50% do tráfego de mercadorias que transita pelos portos da União Europeia.

O impacto económico acumulado no PIB português com a construção e exploração deste terminal iria variar entre 7 e 12 mil milhões de euros. A diferença de valores tinha em conta o prazo de concessão do projeto, que poderia variar entre 40 e 60 anos, segundo um estudo da consultora AT Kearney de 2014 e que contempla os impactos diretos, indiretos e induzidos desta infraestrutura.

As exportações e importações nesta infraestrutura iria atingir, segundo as previsões, 14 mil milhões de euros ao fim de 40 anos. Sem o terminal do Barreiro, Portugal arrisca uma perda de competitividade externa de oito mil milhões de euros, acrescenta a mesma consultora.

Novo cancelamento

O projeto do terminal de contentores do Barreiro foi lançado ainda no Governo de Pedro Passos Coelho, depois do cancelamento do projeto para a construção deste tipo de infraestrutura na Trafaria.

No caso do Barreiro, o projeto foi ‘chumbado’ pela APA porque as dragagens iriam levar a uma violação da Diretiva Quadro da Água e da Lei da Água, por causa do tamanho das gruas e ainda dos efeitos que um tsunami poderia provocar nos terrenos da antiga Quimiparque.

A APA considera particularmente preocupantes os dragados que iriam levantar do fundo do rio sedimentos contaminados com mercúrio, arsénio, zinco, cobre, chumbo e compostos orgânicos que podem afetar gravemente o ambiente aquático, havendo ainda sinais de que a zona pode ter sedimentos ainda mais perigosos que os anteriores. A construção do Terminal do Barreiro iria ainda alterar de forma relevante os fundos e margens do estuário do rio Tejo.

O tamanho das gruas, além disso, poderia prejudicar a navegação aérea no futuro aeroporto do Montijo porque o projeto previa gruas pórtico a uma cota de 90 metros, ou seja, mais 40 metros que os limites legais para construções perto dos aeroportos, escreveu esta quinta-feira a TSF.

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