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Canidelo diz Olá Mercadona e cadeia espanhola Hola a Portugal

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Veja o vídeo. O primeiro de 10 supermercados que a Mercadona pretende abrir este ano em Portugal abre esta terça-feira, em Canidelo, Vila Nova de Gaia

Um dia quando se contar a história da internacionalização da Mercadona, Canidelo, Vila Nova de Gaia, vai ter lugar de destaque. E a história começa já esta terça-feira, dia em que abre o primeiro supermercado da cadeia de retalho alimentar espanhola em Portugal. É um ‘Hola Portugal’ no qual a Mercadona já investiu 160 milhões de euros e no qual vai injetar este ano mais 100 milhões.

Foram três anos a preparar a entrada do gigante espanhol no mercado nacional. Canidelo acabou por ser escolhida para marcar o arranque da expansão da Mercadona, seguindo-se em julho, ao ritmo de uma por semana, a abertura dos supermercados em Sousa Aroso (Matosinhos), Vermoin (Maia) e Fânzeres (Gondomar). Quatro lojas de um total de 10 esperadas para ainda este ano nos distritos do Porto, Braga e Aveiro. Em 2020 seguem-se mais 10 lojas, anunciou Juan Roig, CEO da Mercadona, para em “em alguns anos” chegarem às 150 lojas.

Leia ainda: Já é conhecida a localização da Mercadona em Viana do Castelo

Canidelo dá literalmente esta terça-feira o pontapé de partida à expansão de Mercadona, ou não tivesse o supermercado sido construído em terrenos do Sport Clube do Canidelo. Na permuta de terrenos, construção do novo estádio e loja, a Mercadona investiu 11,5 milhões de euros, dos quais cerca de 8 milhões só no supermercado. Onze pequenas e médias estiveram envolvidas na construção, que envolveu cerca de 350 trabalhadores.

Com cerca de 1800 metros quadrados, o supermercado em Canidelo foi construído à imagem do novo conceito de loja que a Mercadona está a implementar na sua rede em Espanha. Das 1636 lojas existentes do outro lado da fronteira, apenas 400 foram já remodeladas. Em Espanha, os clientes terão de esperar até 2023 para ter por todo o país as chamadas ‘lojas eficientes’, mas em Portugal os supermercados serão todos construídos com base neste modelo: corredores largos, com luz natural, um aproveitamento de energia mais eficiente (por exemplo, o calor das máquinas dos supermercados são canalizados para a o chão na zona dos frigoríficos, melhorando o conforto para os clientes) ou com carrinhos de supermercado inteligentes. Ou seja, com um chip que impede que os carrinhos saiam do parque de estacionamento.

Leia também: Como se comunica durante três anos sem um único supermercado no país?

Canidelo também segue o mantra da Mercadona de que o Chefe (o cliente) é quem manda. O sortido na loja – cerca de 6 mil referências – foi escolhido com base no estudo do gosto dos consumidores nacionais, feito a partir do centro de coinovação, em Matosinhos. Não surpreende, portanto, que em Canidelo o espaço dedicado ao bacalhau ganhe uma especial exposição. A loja também reflete algumas das aprendizagens que a cadeia espanhola retirou de três anos a estudar o mercado português e que está a levar para o outro lado da fronteira. É o caso da secção de Pronto a Comer, onde os clientes têm acesso a 35 pratos, alguns cozinhados no momento, que irão ser adaptados às diferentes zonas do país onde a Mercadona planeia abrir lojas.

Fornecedores nacionais em metade das referências

Metade da 6 mil referências na loja são de fornecedores nacionais, a quem, desde 2016, a Mercadona tem vindo a comprar produto. Em três anos foram 203 milhões de euros em compras de fruta, legumes, pastelaria, azeite ou vinho, entre outros, a que se deverão outros 90 milhões de compras em 2019, caso se concretizem as estimativas da Mercadona.

Nas prateleiras do supermercado em Canidelo muito desse produto pode ser encontrado, alguns na marca própria da Mercadona. A Adega de Vila Real fornece a marca de vinhos Aurea Quebrada Douro; a Font Salem (Santarém), as marcas A tua Cerveja e a Minha Cerveja… Já o pão ou pastelaria que vier a ser produzida no supermercado será cozido em Fornos Ramalho, a mesma empresa de Águeda que está a equipar os fornos de todas as lojas em Espanha.

Esse constante vaivém Portugal – Espanha é visível nas prateleiras, com os clientes a se depararem com produtos que vendem nos dois lados da fronteira. Encontrar embalagens onde se pode ler pollo com almendras/frango com amendôas ou pollo al horno/ frango no forno é algo que os espanhóis já estão familiarizados e que os portugueses vão começar a se deparar na zona das refeições pré-confecionadas.

No que a Mercadona não prescindiu foi de manter o peso da marca de distribuição na loja – Hacendado (produtores alimentares), Bosque Verde (de limpeza do lar), Deliplus (higiene pessoal) e Compy (alimentos para animais de companhia) são as suas marcas próprias – e que representam cerca de metade da oferta disponível. Garantem ainda que que, apesar do peso que as promoções têm no mercado nacional (já representam cerca de metade das vendas), não vão mexer na ‘política de preços baixos todo o ano’ por uma lógica promocional.Mercadona teve de fazer, no entanto, uma adaptação ao mercado nacional: nos horários de funcionamento. Ao contrário do que sucede em Espanha vai abrir aos domingos, o segundo dia de maior vendas nos supermercados nacionais.

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Mas ‘aportuguesar’ a cadeia obrigou a Mercadona a reforçar o pessoal nas lojas. Inicialmente, a empresa tinha previsto um quadro de entre 50-60 pessoas nos supermercados, mas a abertura aos domingos (e a vontade de garantir que os trabalhadores tenham dois dias de folgas consecutivos), bem como a secção de Pronto a Comer levou à contratação adicional de mais 25 trabalhadores na loja. Canidelo deu assim emprego a 85 pessoas, de um total de 900 que a cadeia emprega em Portugal. Até ao fim do ano, a cadeia quer empregar 1100 pessoas.

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