Entrevista Caldeira Cabral

Capitalizar. Novas linhas podem ultrapassar os 3000 milhões de euros

Fotografia: Gonçalo Delgado / Global Imagens
Fotografia: Gonçalo Delgado / Global Imagens

"Mais de 6.000 empresas já estão a beneficiar destas linhas de financiamento”, revelou Caldeira Cabral ao Dinheiro Vivo.

Na apresentação do novo pacote legislativo no âmbito do Programa Capitalizar, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, revelou que as atuais linhas de crédito já ascendem a 1600 milhões de euros para investimento das pequenas e médias empresas (PME). “Mais de 6.000 empresas já estão a beneficiar destas linhas de financiamento”, revelou Caldeira Cabral ao Dinheiro Vivo.

Além da Linha de Crédito com Garantia Mútua e da Linha de Financiamento a Operações de Capital Reversível, somando outros instrumentos de financiamento para business angels e linhas de capital de risco, “estamos a falar de um valor que já ultrapassa os 2500 milhões de euros e que pode chegar aos 3000 milhões com as novas linhas que vamos lançar para as empresas de média e pequena-média capitalização”, disse o ministro em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Sobre o alargamento dos vistos gold a investidores estrangeiros que invistam, pelo menos 200 mil euros em empresas portuguesas que estejam numa situação económica difícil e abrangidas por um plano de recuperação, Caldeira Cabral admitiu que o Governo quer atrair “diferentes perfis de investidores”.

Depois das polémicas no passado, o que motivou agora o alargamento dos vistos gold?

Houve um problema jurídico à volta dos vistos gold, mas isso não deve impedir que esta ferramenta continue a ser utilizada. Trata-se de um instrumento para atrair investimento e não podemos pedir que venham investir no nosso país sem lhes dar acesso ao espaço comunitário, sem ter residência no país onde estão a investir. Seria estranho. Se a pessoa vem investir, vem criar emprego, devemos também dar-lhe o direito de residência para poder acompanhar o seu investimento. No passado, os vistos gold ficaram muito cingidos ao imobiliário e é isso que queremos alargar. Há investidores internacionais de pequena e média dimensão interessados em fundar empresas em Portugal, com todo o interesse despertado pelo universo das startups portuguesas

Quem são os estrangeiros interessados em investir nas empresas portuguesas?

Criámos diferentes categorias de vistos gold para colocar limites mais baixos, em termos de montante investido, para quem investe em empresas e na criação de emprego, face a quem investe em imobiliário, e mecanismos para pessoas que investem em empresas com potencial para crescer ou empresas que estando em reestruturação precisam que entrem investidores com capital fresco que possam reestruturar essas empresas e pô-las a crescer de novo. Pode ser interessante para investidores estrangeiros que queiram entrar no mercado europeu e sintam que é mais fácil entrar comprando uma empresa que já está instalada mesmo com níveis de endividamento elevados. O investimento estrangeiro nestas empresas tem de ser sempre feito no âmbito de um processo de reestruturação, mais facilitado pelo programa Capitalizar. Sem vistos gold era difícil atrair estes investidores para ajudar as empresas portuguesas.

Que perfil de investidores querem atrair?

Estamos a apostar em atrair diferentes perfis de investidores, em vez de apenas um único perfil. Este alargamento vai permitir que investidores em startups tenham mais facilidade em vir para Portugal, mas também investidores em empresas mais maduras que queiram entrar no mercado europeu através da compra de uma empresa portuguesa. E investidores diferentes, incluindo os mais especializados que compram empresas para as reestruturar e terem lucros com isso, ou investidores que veem o mercado português como um mercado pivô e uma porta de entrada para a expansão para a América do Sul.

As empresas portuguesas estão disponíveis para acolher estes investidores estrangeiros?

Algumas empresas querem ter investidores estrangeiros, outras não querem e algumas necessitam mesmo de mais investidores, por isso se tiverem um leque mais amplo à escolha tanto melhor. Estamos a criar maiores possibilidades de financiamento, através de investidores que entrem no capital. Para as empresas em dificuldades isso vai ser muito importante.

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