indústria automóvel

Carlos Tavares volta a alertar para os custos da mobilidade elétrica na Europa

O presidente do Grupo PSA, Carlos Tavares
Presidente do Grupo PSA, Carlos Tavares

Repetindo um alerta já feito anteriormente, o presidente do Grupo PSA, Carlos Tavares, voltou a apontar para os potenciais efeitos nefastos para a indústria automóvel europeia decorrentes da eletrificação forçada pelos decisores políticos do Velho Continente.

Presente na cerimónia de arranque da produção da nova geração do Opel Corsa, na fábrica espanhola de Figueruelas (Saragoça), o português voltou a adotar um discurso bastante cauteloso quanto à imposição de metas anti-emissões demasiado duras pela União Europeia e, também, quanto à passagem para o meio elétrico como forma de as cumprir.

Principal responsável pela recuperação económica do Grupo PSA após a crise de 2008 a 2012, Carlos Tavares procedeu, na sua gestão à frente da companhia, a um exigente exercício de racionalização em todas as áreas, cortando gamas e modelos pouco rentáveis e melhorando o esquema de produção, mas ao mesmo tempo conseguindo também aumentar o leque de marcas integrantes do grupo com a emancipação da DS e com a aquisição da Opel à General Motors em 2017.

Mas, no âmbito automóvel, o presidente da PSA também sempre foi crítico para com algumas das imposições em termos da indústria automóvel, repetindo os alertas agora em Espanha quanto ao preço desta solução e à sua rentabilidade.

A mobilidade elétrica é igual à comida bio[lógica]. É mais cara. E não estão a dizer isso às pessoas”, é citado Tavares no Cinco Dias (do El Pais), acrescentando ainda que “o maior risco para o setor automóvel é interno e provém da União Europeia devido à transição energética imposta para a redução de emissões”.

As suas maiores críticas foram direcionadas a França, Espanha e Itália pela tomada de decisões conjuntas no âmbito da redução das emissões poluentes na Europa, considerando que essas terão um grande impacto na área económica e social, uma vez que este é um setor que dá emprego “a 13 milhões de pessoas na União Europeia”.

“Tomaram decisões extremas quando são dos maiores produtores de veículos na Europa. Nós, os fabricantes automóveis, podemos rumar à produção com emissões zero, contamos com a tecnologia adequada, mas o crítico é a velocidade a que vamos fazer essa transição”, referiu o líder máximo da PSA, reforçando que “a mobilidade elétrica é mais cara do que a mobilidade tradicional e têm de compreender que apenas se podem comercializar com subsídios para os veículos e subindo os impostos”.

Ainda assim, a PSA acompanha o ritmo de eletrificação da indústria automóvel na Europa, estando consciente de que é um segmento no qual é imperioso estar presente. Por esse mesmo motivo, a Opel e a Peugeot preparam os lançamentos dos seus primeiros utilitários 100% elétricos – Corsa e 208, respetivamente –, ambos baseados na mesma plataforma (eCMP) e com preços base a rondar os 30.000€. A produção do Corsa será feita em Espanha, na fábrica de Saragoça, onde já foram investidos 250 milhões de euros para a sua modernização, podendo construir até 1000 veículos diariamente.

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