Mobilidade Elétrica

Todos os carregamentos de carros elétricos pagos a partir de quarta-feira

Fotografia: Bruno Lisita/Global Imagens
Fotografia: Bruno Lisita/Global Imagens

Para pagar, o utilizador é obrigado a ter um contrato com um comercializador de eletricidade para a mobilidade.

A partir de quarta, 1 de julho, todos os carregamentos de carros elétricos vão passar a ser pagos. Uma década depois de ser lançado pelo Governo de José Sócrates, termina o projeto-piloto da rede de mobilidade elétrica em Portugal. Os 643 postos de carregamento normal que eram operados pela Mobi.E foram concessionados a privados. Os cartões da empresa também vão deixar de funcionar.

Para pagar, o utilizador é obrigado a ter um contrato com um comercializador de eletricidade para a mobilidade (CEME), que dá um cartão para ser utilizado em todos os postos de carregamento de acesso público, sejam eles de carga normal ou carga rápida. Os pontos de carga são geridos por operadores de carregamento (OPC).

“Será o mercado a determinar os preços”, lembra Eduardo Pinheiro. Só que o mercado da mobilidade elétrica não permite fazer uma grande antecipação de custos de carregamento. Fatores como a percentagem de bateria e a temperatura exterior podem levar o utilizador a ficar mais ou menos tempo à espera que o carregamento fique concluído.

Além disso, alerta o líder da UVE, “há operadores que ainda não indicaram os custos de utilização dos carregadores”. Ou seja, no limite, “enquanto não houver preços para os OPC, apenas será pago o preço do comercializador, mais os impostos. No portal da Mobi.E, estão registados 30 operadores de postos de carregamento.

Projeto piloto da rede Mobi.E foi lançado em junho de 2010 pelo segundo Governo de José Sócrates. (Arquivo / Global Imagens )

Projeto piloto da rede Mobi.E foi lançado em junho de 2010 pelo segundo Governo de José Sócrates.
(Arquivo / Global Imagens )

Apesar disso, com 5 euros, por exemplo, “é sempre possível fazer muito mais quilómetros com um carro elétrico do que com um carro a gasolina ou a gasóleo”, assegura Henrique Sánchez.

Atualmente, existem 40 mil veículos elétricos e híbridos plug-in a circular em Portugal e que podem utilizar as 3000 tomadas de carregamento disponíveis na via pública, em postos de carregamento públicos e privados de acesso livre, segundo dados. Também existem redes privadas de carregamento, como os superchargers da Tesla, reservados para os donos de veículos desta marca norte-americana.

Tipos de carregadores

Há um total de 763 postos de carregamento de acesso público em Portugal, de três tipos. Quanto mais potentes forem, menos tempo demora a eletrificar o veículo. Os carregadores normais são os mais populares e têm até 22 kWh de potência. Há um total de 654 postos deste género (198 dos quais em espaços privados); os carregadores rápidos têm mais do dobro da potência (50 kWh) e contam com 109 estações, segundo dados da Mobi.E facultados ao Dinheiro Vivo.

Fora dos dados da Mobi.E surgem os supercarregadores da Tesla, com sete estações instaladas, cada uma com 10 tomadas de carregamento. A marca norte-americana proporciona ainda 171 destination chargers, de 22 kWh, e que estão instalados de norte a sul do país, detalha a UVE.

Os postos de carregamento rápidos são pagos desde novembro de 2018, enquanto os postos de carregamento privados mas de acesso público são cobrados desde abril do ano passado.

Investimento em postos

Na resposta à pandemia, no orçamento suplementar, o Governo vai apostar na infraestrutura, no valor de três milhões de euros. “Vão ser instalados 12 postos de carregamento ultrarrápido, num investimento de 1 milhão de euros, em vias de comunicação mais utilizadas. Também há 2 milhões de euros para a criação de 10 hubs de carregamento nas principais cidades”, detalha Eduardo Pinheiro.

Até ao final de 2021, a Mobi.E vai ganhar uma nova plataforma de apoio ao utilizador e será lançado o portal da mobilidade elétrica.

Os elétricos também dão menos despesas de utilização: estão isentos do imposto de circulação e não pagam estacionamento em cidades como Lisboa. Para as empresas, há duas vantagens adicionais: isenção de tributação autónoma em sede de IRC e dedução do IVA nas despesas com a eletricidade gasta para os carregamentos.

Pagamentos com multibanco?

Para carregar o carro, é obrigatório o utilizador ter um contrato com um comercializador de eletricidade para a mobilidade (CEME). Mas esta situação poderá mudar no futuro. “A Mobi.E está a desenvolver um sistema para permitir o carregamento com o cartão Multibanco”, segundo o secretário de Estado da Mobilidade. A concretizar-se a medida, emigrantes, turistas e outros utilizadores ocasionais poderão também passar a utilizar os postos de carga.

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