Cartaxo não é só vinho: há móveis e com tecnologia

Greenapple começou como um negócio de acessório de flores há 15 anos. Depois da crise de 2011 virou-se para o mobiliário de luxo e tem clientes em vários continentes.

Seguimos na Estrada Nacional 3 a caminho de Santarém depois de termos saído do centro da cidade do Cartaxo. No trajeto, encontramos um pequeno e escondido armazém branco que parece igual a tantos outros em pleno Ribatejo. Só quando entramos nas instalações da Greenapple é que descobrimos que há uma empresa a fabricar móveis no Cartaxo, de alta qualidade, e que até já têm tecnologia incorporada.

Mas nem sempre foi assim. "Começámos o negócio em 2005 com 30 mil euros de investimento próprio. Vendíamos acessórios para floristas e lojas de decoração, muito focados no mercado nacional e com crescimento rápido e sustentável", recorda ao Dinheiro Vivo o líder da empresa de mobiliário, Sérgio Rebola.

O discreto empresário mostra-nos as instalações zona a zona. Mal entrámos na fábrica encontrámos um dispositivo criado em plena pandemia: o Bio Check-in consegue analisar a temperatura através do pulso e higienizar as mãos em menos de cinco segundos.

Desenvolvido em parceria com o Instituto Superior Técnico, o equipamento pode ser controlado através de uma aplicação móvel e está colocado à entrada de empresas e unidades produtivas.

A viragem para a tecnologia deu-se uma década antes, em 2011. "Começámos a sentir que o nosso segmento de mercado ia passar mal", recorda Sérgio Rebola.

Logo no ano seguinte, a empresa do Cartaxo estreou-se em feiras internacionais. "Estávamos em Milão quando uma senhora sul-coreana olhou para um pequeno banco que tínhamos no nosso espaço. O banco era importado da China." Depois disto, veio o diálogo que transformou a Greenapple:

"Se tu és português, porque tens produto chinês? Se tiveres produto produzido em Portugal, compro-te."

Com formação em gestão de empresas, Sérgio e a mulher, Rute, entenderam a mensagem. Investiram as receitas dos anos anteriores na área do mobiliário, apostando em produção própria, do desenho ao fabrico.

Assim que subimos para o andar das exposições, podemos sentar-nos em sofás, cadeirões rotativos que ficam arrumados automaticamente assim que ficam vazios e algumas cadeiras. Também há mesas, secretárias e até um candeeiro sem fios, carregado através de USB ou de uma placa sem contacto.

Para fabricar as peças apenas são utilizados materiais de "elevada qualidade", como carvalho norte-americano e folhas de madeira, oriundas de Portugal, Alemanha e Áustria. Não há desperdício de matéria-prima graças ao uso de maquinaria moderna.

Personalização também é fundamental para a Greenapple. Cada peça de mobiliário é única, com vendas para mais de 50 países. Além da Europa, há clientes na região do Médio Oriente e em países como China, Japão e Coreia do Sul. Devidamente protegidos, os produtos são enviados em caixas de madeira.

Há ainda algumas particularidades: nos móveis para o Médio Oriente, a madeira tem de ser muito seca "para não oscilar por causa de o ar condicionado ligado durante o dia". Para reforçar o conforto, também são usadas várias combinações de espuma.

Atualmente com 25 trabalhadores, a Greenapple conta bater o recorde de receitas no próximo ano, propondo-se atingir o patamar dos três a quatro milhões de euros. Sérgio Rebola lembra que a empresa ainda tem por iniciar projetos pensados desde 2019.
Sem abandonar a fábrica no Cartaxo, admite abrir um centro de exposições na zona de Lisboa para captar mais clientes.

Há ainda o desafio da tecnologia pela frente: "Acreditamos que poderemos ter um cadeirão com botões incorporados na pele, através de uma gravação por infravermelhos, para controlar a televisão lá de casa".

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