Estratégia

Casa da Moeda. 1,7 milhões para backup do Cartão de Cidadão

Gonçalo Caseiro, presidente da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Fotografia: D.R.
Gonçalo Caseiro, presidente da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Fotografia: D.R.

Selos de garantia para os produtos, “papel secreto” e moedas livres de bactérias são projetos da empresa em investigação

A Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), empresa inteiramente detida pelo Estado e que responde por uma história de mais de 700 anos, vai investir perto de 1,7 milhões de euros para criar um centro de backup dos cartões de cidadão, passaportes e diários da República, no Porto. O projeto arranca em 2019, integra componentes de construção e aquisição de equipamento, e deverá estar operacional no verão, revela Gonçalo Caseiro, presidente da INCM.

Com este “serviço de excelência no Porto”, concretamente no GoldPark – Parque Tecnológico de Gondomar, a INCM passa a deter dois centros de recuperação em caso de desastre (existe um em Lisboa). O investimento irá também permitir a emissão do Cartão de Cidadão (CC) no próprio dia na região da Invicta, mas a operacionalização desse serviço cabe ao Ministério da Justiça. Como adianta Gonçalo Caseiro, “um pedido de emissão de um Cartão de Cidadão até às 12 horas pode ter resposta até às cinco da tarde”.

No século XXI
Apesar da sua longa história, a INCM está longe de ter parado no tempo. A estratégia da empresa, que deverá fechar o atual exercício com lucros de 21 milhões de euros e receitas de 97 milhões, passa por uma forte aposta na investigação e no desenvolvimento de novos produtos e, em simultâneo, no reforço da exportação de serviços. As atividades que desenvolve – cunhagem de moeda metálica, emissão de documentos de segurança (caso do CC e passaporte), edição de publicações oficiais, como o Diário da República, e de obras da cultura portuguesa e mundial, contrastaria ou produção de moedas e medalhas comemorativas – serão para manter, mas o objetivo é alargar o portfólio às necessidades do século XXI.

“É uma oportunidade, a INCM é uma marca que representa solidez e segurança. Se juntarmos inovação, é a marca certa para unir o mundo digital e o físico”, sublinha Gonçalo Caseiro.
Para isso, a empresa firmou “parcerias muito fortes” com universidades e institutos portugueses, “para que os nossos cérebros passem a ser o nosso petróleo”, e lançou o Prémio Inovação, com um valor global de 850 mil euros. Neste momento, estão a ser desenvolvidos 12 projetos de I&DI (investigação, desenvolvimento e inovação) que visam o aumento da segurança de documentos e a melhoria de processos produtivos.

Inteligência artificial
Um dos projetos em curso é a criação de um robô inteligente, com funções de operador e transportador. Como adianta Gonçalo Caseiro, o objetivo é “robotizar tarefas que podem ser automatizadas, mas também que o robô possa aceder aos sistemas e depreender o que é preciso fazer, com base na indústria 4.0”.

Apesar de reconhecer que as moedas de um e dois cêntimos tendem a acabar, Gonçalo Caseiro vê ainda uma longa vida para este produto e recorda que o dinheiro físico continua a ser a forma preferida para pagamentos abaixo dos 20 euros. Por isso, e porque a moeda representa cerca de 20% da atividade da INCM, há um estudo para minimizar (ainda mais) a adesão de bactérias ao metal.

“Papel secreto” é o nome de outra investigação em desenvolvimento, que visa criar condições para que se possa imprimir num papel um chip e que este seja alimentado pela celulose desse material. É um trabalho de uma década, mas que se for possível industrializar permitirá saber se um pacote de leite está estragado, exemplifica. Também a pensar nos setores produtivos estão a ser testados selos de garantia, que são incorporados em marcas, permitindo à empresa ou ao consumidor verificar a autenticidade dos produtos através de uma aplicação no telemóvel. Como sublinha Gonçalo Caseiro, estes projetos são internacionalizáveis.

A este nível, a INCM tem o seu foco nos países de língua portuguesa, mas já começou a fazer as primeiras incursões na América Latina. As vendas ao exterior valem 2% das receitas.

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