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Casa do Marquês. Vender melhor vale mais do que vender muito

José Eduardo Sampaio, no Salão Árabe, no Palácio da Bolsa, onde tem organizado eventos mais recentemente.
Foto: Igor Martins / Global Imagens
José Eduardo Sampaio, no Salão Árabe, no Palácio da Bolsa, onde tem organizado eventos mais recentemente. Foto: Igor Martins / Global Imagens

Empresa líder na organização de eventos do ex-futebolista do Sporting José Eduardo Sampaio inicia este ano a “difícil conquista do Norte”.

A história remonta a 1989, mas está por contar. Como é que um jogador de futebol profissional, José Eduardo Sampaio, troca os relvados pela organização de eventos? Afinal, a resposta está na semelhança entre os desafios.

“A Casa do Marquês é como uma equipa de futebol: os cozinheiros ganham como jogadores e a equipa tem de ser motivada para vender”, desvenda o empresário que encabeça a empresa de eventos de luxo líder de mercado. “Só com muita fezada a trabalhar e a incentivar os talentos do nosso pessoal conseguimos organizar, em média, quatro eventos por dia e sem erros”, assegura o sportinguista.

Na Casa do Marquês trabalham 75 pessoas, permanentemente, podendo contratar até mais 500 trabalhadores num só dia para dar resposta à média de quatro eventos por dia. “E trabalhadores extra com a qualidade que tenho não há suficientes em Portugal. Não há muita formação a este nível e a minha empresa acaba por ser como uma universidade”, lamenta o empresário.

Voltando ao princípio. “Quando deixei o futebol, ainda pensei ir para treinador. Mas comecei a organizar umas festas, no Páteo Alfacinha, que pertencia ao meu sogro, e levei a casa ao topo. Depois, uma diferença de visões quanto ao futuro levou-me a sair e a criar a Casa do Marquês”, resume.

Ao longo de quase 30 anos, os eventos (mesmo os de luxo) foram sendo barómetro das crises e a Casa do Marquês não foi exceção quando chegou a ‘troika’ a Portugal. O que marcou a diferença na empresa familiar, detida por José Eduardo Sampaio, pela mulher e pelos filhos, foi a forma como reagiu à crise, porventura ao contrário de outras empresas.

“Em 2008, sentimos a austeridade, mas fizemos o contrário do resto das pessoas: investimos em mais produtos, porque achámos que o mercado ia ficar mais pequeno e só com produtos e soluções novas podíamos vencer”. O balanço acabou por ser positivo: “Ganhámos quota de mercado e credibilidade junto dos clientes, fizemos a sede e o showroom e agora temos uma capacidade de resposta como não há igual em Portugal e mesmo na Europa”, garante o gestor.

“O nosso target é o A/B, mas prefiro dizer que é de quem nos paga”, brinca José Eduardo Sampaio, estimando que, em Portugal, o mercado dos eventos de luxo valha 60 milhões de euros, distribuídos entre eventos particulares (20%), MICE (reuniões, incentivos, convenções e exposições, 20%), turismo (20%) e protocolos (20%). Nos últimos três anos, o volume de negócios da empresa cresceu 35%, devendo atingir 10,5 milhões de euros no final deste ano.

No ano passado, organizaram 1525 eventos e “muitos foram recusados porque preferimos saber que vendemos melhor do que vender muito e de qualquer maneira”. Quer dizer, “a história da atenção ao pormenor valer por tudo é bem verdade e no caso dos eventos, quem descurar pormenores está destinado a desaparecer”. Afinal, desvalorizar o modelo padrão de serviço a que tinham acostumado os clientes seria fatal num segmento “muito competitivo e com poucas empresas”, explica José Eduardo Sampaio, estimando que haja cerca de meia centena de empresas a trabalhar eventos.

Depois de uma tentativa de internacionalização para Angola, “adiada devido à crise do petróleo”, a Casa do Marquês parte agora à conquista do Norte.

“Quero muito estar no Porto, uma cidade que conseguiu inovar preservando a tradição. É um desafio para nós, porque come-se muito bem no Norte e é mais barato do que Lisboa, logo não somos tão competitivos. Decidi que não vamos descer preços, portanto vamos manter a linha de excelência por que somos conhecidos e crescer pelo boca a boca”.

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