Groundforce: "Não haverá condições para o pagamento atempado do subsídio" de férias e responsabiliza sindicatos

Presidente do Conselho de Administração da Groundforce diz que, "perante a recusa pública dos vários sindicatos em autorizar a utilização do excedente do fundo de pensões para pagar o subsidio de férias", não tem condições para o pagar nem sabe quando o poderá fazer. Salários de junho estão "garantidos, desde que se confirme o número de voos previstos pela TAP, pelo Eurocontrol e pela IATA".

A Groundforce diz não ter condições para pagar os subsídios de férias aos seus cerca de 2400 trabalhadores, nem sabe quando o poderá fazer, uma vez que os sindicatos estão contra a utilização do excedente que consta no fundo de pensões da empresa para esse fim.

"Perante a recusa pública de vários sindicatos em autorizar a utilização do excedente do fundo de pensões, no valor de 3 milhões de euros, para pagar o subsidio de férias aos trabalhadores da Groundforce, o presidente do Conselho de Administração da empresa, Alfredo Casimiro, informa que não haverá condições para o pagamento atempado do referido subsídio, não se prevendo quando o mesmo possa ser regularizado", indica o responsável em comunicado enviado às redações.

Esta quinta-feira, 29 de abril, fonte oficial da Groundforce apontava à Lusa que: "é nosso objetivo levantar esse excedente [de 3 milhões de euros do fundo de pensões] em conjunto com a Comissão de Trabalhadores e dos sindicatos de forma a podermos pagar os subsídios de férias em final de junho". Já na altura, fonte da empresa de handling (assistência em terra nos aeroportos), à agência de notícias, admitia que: "se vier a existir oposição, não vai haver possibilidade de pagar os referidos subsídios de férias. Tal só poderá ser possível num acordo conjunto entre a Groundforce, Comissão de Trabalhadores e sindicatos".

Esta sexta-feira, 30 de abril, Alfredo Casimiro, em comunicado, deixa claro que "os representantes sindicais que corroborem tal decisão [não autorização da utilização da verba] serão os responsáveis perante os seus membros e perante todos os trabalhadores da Groundforce pelo atraso ou não pagamento do subsídio de férias".

Já nesta quinta-feira, o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal avançava que a administração da empresa tinha tido uma reunião com alguns sindicatos e que em cima da mesa tinha estado o objetivo de vir a usar o fundo de pensões para pagar salários.

Nos últimos dias, a Groundforce voltou a preencher a atualidade informativa. A empresa de assistência em terra votou a anulação dos contratos que tinha assinado com a TAP - para a compra dos equipamentos e para o seu consequente aluguer à empresa de handling -,em março e que lhe permitiram um encaixe de quase sete milhões de euros, canalizados para o pagamento de salários e obrigações fiscais - defendendo que os mesmos colocavam em causa a sobrevivência da empresa.

A TAP reagiu apontando que os contratos "são válidos e eficazes e a decisão de os considerar nulos emitida por uma das partes não tem força legal". A companhia aérea indicava ainda nesta quinta-feira, que os contratos "continuam plenamente em vigor as obrigações da Groundforce para com a TAP ao abrigo dos mencionados contratos, nomeadamente o pagamento da primeira prestação de aluguer devida, que se vence amanhã, sexta-feira, dia 30 de abril de 2021".

Alfredo Casimiro, após o comunicado da transportadora aérea, acusou a TAP de "bullying" e "pressão".

O patrão da Groundforce tinha já indicado nesta semana que os salários de maio estavam assegurados. No comunicado desta sexta-feira, Alfrefo Casimiro frisa que: "para além dos salários de maio" o pagamento "dos salários de junho está garantido, desde que se confirme o número de voos previstos pela TAP, pelo Eurocontrol e pela IATA".

(Notícia atualizada pela última vez às 16h34)

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